Estrangeiros são minoria entre ecoturistas no país
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2002
Giovanna Modé Agência Estado 
Engana-se quem pensa que ecoturismo no Brasil tem sido diversão de gringos. Eles representam, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Ecoturismo (IEB), menos de 200 mil de um universo de 2 milhões de turistas que praticam a atividade no País.
O Brasil ainda engatinha como destino de ecoturistas estrangeiros estima-se que, no mundo, em torno de 30 milhões de pessoas viajem para a prática de turismo ecológico num outro país. Aqui, o fluxo de europeus e americanos é grande apenas nos hotéis de luxo na selva amazônica.
O presidente do IEB, João Meirelles Filho, explica que o desenvolvimento da atividade no País ocorreu sobretudo nos últimos dez anos. As primeiras agências especializadas surgiram na década de 80. Abrem muitas porque os investimentos são menores que os necessários para uma operadora convencional. Mas a taxa de mortalidade também é alta, resume.
Foi em 1983 que a pioneira Freeway Adventures abriu as portas. Literalmente uma portinha na Avenida Paulista. A agência ainda não tinha esse nome e vendia caminhadas na Serra do Mar, de Paranapiacaba a Cubatão. Era algo inédito, na época, um grupo de aventureiros descendo a serra a pé, lembra Edgar Werblowsky o manda-chuva da operadora que hoje é uma das maiores do País, com diversas franquias.
O ecoturista, por sua vez, já perdeu há muito tempo o estereótipo do mochileiro. Num destino como Bertioga, por exemplo, você encontra diversos perfis de turistas que passam o dia: executivos, terceira idade, estudantes de escolas públicas ou privadas, esportistas, famílias ou jovens, diz Meirelles.
A variedade de pacotes é tanta que atende desde quem quer fazer um trekking acampando na Trilha Inca (de Cuzco a Machu Picchu, no Peru) até os mais exigentes que não abrem mão de um hotel confortável em meio à natureza, passando pelos mais diversos padrões de pousadas.
Para se ter uma idéia, a média de preço de um pacote de oito dias, com parte aérea, para destinos como Chapada Diamantina, Bonito ou Chapada dos Veadeiros, é R$ 1.500 por pessoa. Sem transporte aéreo, para lugares mais próximos da capital paulista como Ilha Grande ou Ilha do Cardoso, os programas de quatro dias custam em torno de R$ 400.
Luciano Castanhe, da Pisa Trekking, reconhece que os viajantes costumam ser de alto poder aquisitivo. E geralmente você nem precisa instruir para não jogar papel no chão. A maioria já tem consciência ecológica. Apesar disso, a agência tem pacotes a partir de R$ 70 (as trilhas de um dia no litoral).
Douglas Simões, um dos sócios da Venturas e Aventuras, outra operadora de peso no mercado, comenta que notou um grande crescimento no número de mulheres que se interessam pelos programas ecológicos.


