Pai não precisa saber falar javanês, mas, de uma hora para outra, o mundo parece esquecer vocábulos como futebol, cerveja e happy hour, sendo necessário aprender uma língua estranha e nova em que as principais palavras são fralda, cólica e a frase mais importante de todas: ''O bebê está chorando''.
Ao compreender todos os significados desse enigmático alerta - o choro do bebê -, qualquer pai pode se considerar poliglota, porque as traduções são muitas. Desde o neném está com fome, fralda molhada, cólica, até saudade da mamãe - esta sim, não fala javanês, mas, a partir do instante em que se torna mãe entende tudo o que a criança quer.
Para os pais que ainda olham a barriga da mãe crescendo, como se esperassem o famoso Big Bang em que, um segundo depois, um novo mundo será criado, com o nascimento do bebê, saibam que não estão de todo errado. E, se não tratarem de se adaptar à novíssima realidade, poderão se sentir alienígenas nesse universo governado por um principesinho ou uma princesinha. Isso se eles não desembarcarem na sua vida em dupla, trio, quarteto ou em mais números de gêmeos.
Calma. Todos sabem que pai não nasce pronto. Também não existe manual de sobrevivência nessa aventura, mas o jornalista Renato Kaufmann, autor do livro ''Diário de um grávido'' (Mescla Editorial), resolveu compartilhar com outros aventureiros a epopeia de ser pai.
Uma dica divertida para presentear no Dia dos Pais, os que querem fazer bonito e se entender bem com esses serezinhos com cara de joelho e garganta de Galvão Bueno, quando desejam alguma coisa, e que sabem como ninguém fazer qualquer brucutu falar tudo no diminutivo tipo: ''Dá um sorrisinho pro papaizinho?''; ''Nenezinho quer papinha?''
Kaufmann já escreveu para a Folha de S. Paulo, o Jornal da Tarde, as revistas Set e Superinteressante. Foi correspondente internacional do iG, cobrindo cibercultura e biotecnologia. Mestre em Comunicações Interativas pela Universidade de Nova York, o jornalista agora é pai de Lucia, que está com pouco mais de 1 ano. Um test drive nessa aventura da paternidade, sem direito a erros, ele já fazia com sucesso ao ser padrasto de Maria, 9 anos.
Aos pais que pisam pela primeira vez nesse mundo, Kaufmann diz que o susto ao ouvir a frase: ''Estou grávida'', não passa nunca mais. Para absorver o impacto, ele criou o blog www.diariogravido.com.br, tentando também diminuir a ansiedade, que não faz o homem ter desejo de comer coisas, como tijolo com merengue, mas é capaz de tirar-lhe o sono.
O autor diz que a paternidade é uma aventura cheia de emoções em que o pai deve estar totalmente envolvido. ''Mas é uma delícia. Me considero um pai ativo. Me envolvi durante a gravidez, mas o envolvimento maior é quando o bebê nasce. Antes, está lá dentro da jaulinha da mãe e aos pais cabe dar assistência. Porém, ao nascer, é hora de contribuir com revezamentos durante a noite e enfrentar algumas situações mais difíceis. Eu mesmo, se pudesse evitar fralda suja, evitaria, mas não tem jeito'', conta Kaufmann.
Uma coisa é certa para todos os pais: é preciso ter a autoestima lá em cima para não se sentirem rejeitados. Kaufmann brinca que durante a gravidez, o pai é um cidadão de segunda classe. Sempre que chegar nos lugares as atenções serão da futura mamãe e do bebê.
''Quando a criança nasce o pai passa a ser de terceira categoria, já que a atenção do casal se volta para o bebê. É preciso ter um entendimento de que é uma fase e que a aventura é para se viver juntos. Quanto à libido, bem, não existe físico que aguente noites mal dormidas. Você não tem muitas opções, mas depois melhora'', anima o autor.
Pai e padrasto de meninas, Kaufmann diz que, neste caso, é preciso estar preparado para também passar para o outro lado da piada. É como virar o português ou o papagaio das anedotas, sem perder a esportiva sempre que ouvir um engraçadinho dizendo que você deixou de ser consumidor para fornecedor - que as mulheres nos perdoem pela brincadeira cafajeste e machista.
Indagado sobre se estaria disposto a repetir a aventura, Kaufmann devolve o questionamento, querendo saber se a pergunta é sobre outro livro ou outros filhos. ''Bem, outro livro eu tenho mais um no forno, mas ter outro filho é uma coisa que gostaria de dar mais um tempo. Antes, o meu projeto é ganhar na mega-sena'', diverte-se Kaufmann, fazendo alusão ao investimento financeiro que se faz nos filhos.
Serviço
- Diário de um grávido
Autor - Renato Kaufmann
Editora - Mescla Editorial
Quanto - R$ 39,90 (112 págs.)

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