ESTÓRIAS SEM FIM
Mario CesarCláudia Rezende: ‘‘Gosto de pensar em minhas telas como um palco onde tudo pode acontecer’’Cláudia Rezende mostra
obras dramáticas e teatrais
na exposição que abre
amanhã em Londrina
Telma Elorza
Transportar personagens do irreal para uma materialização quase palpável, tornando figuras nebulosas da imaginação em presenças fortes e dramáticas é uma das características do trabalho da artista plástica londrinense Cláudia Rezende. Sua maneira de contar estórias de um universo fabuloso pode ser vista a partir de amanhã, com abertura, às 20h30, da exposição de pinturas no Espaço Cultural Banestado, em Londrina.
Mario Cesar‘‘Neste
Espaço
Branco’’Quase seis anos depois de sua última individual na cidade, Cláudia apresenta agora 13 obras em acrílica e óleo sobre tela, produzidas entre 1994 e 98. Todos são trabalhos inéditos em Londrina. Alguns, porém, foram expostos em museus brasileiros e ingleses. Nesta exposição, Cláudia mostra o resultado de uma pesquisa que desenvolve há mais de 15 anos, num processo contínuo de coleta de imagens e onde a tela se transforma num palco.
Em cada uma das obras expostas, uma estória se desenrola, misturando figuras míticas e do imaginário infantil e transformando questão simbólica numa metáfora que requer a participação do espectador. ‘‘Para mim, a pintura é um processo de contar estória, mas uma estória sem fim, que o observador vê e adapta para sua vida’’ - diz.
Divulgação‘‘O Macaco, a Princesa e a Cadeira’’Assídua espectadora de filmes, ouvinte de música, leitora voraz, frequentadora de espetáculos teatrais, Cláudia transforma todas estas linguagens em referencial para sua obra. ‘‘Gosto de pensar em minhas telas como um palco onde tudo pode acontecer. Ali eu vou recortando e fazendo uma colagem de emoções sentidas, vividas ou percebidas’’ - conta.
A dramaticidade teatral aparece nas figuras/seres e nas cores, vibrantes, intensas, provocativas, porém sem um caráter ilustrativo. Elas convocam o espectador a participar da estória, a desenvolver um enredo a partir de seus próprios referenciais. ‘‘É uma obra aberta, onde cada um vai vivenciar suas emoções’’ - afirma.
Divulgação‘‘Na Cova dos Leões’’Embora deixe em aberto o final de suas estórias, a própria figuração narrativa de Cláudia coloca um rumo nos sentimentos/emoções já que suas raízes - apesar dos elementos fantasiosos - estão bem fincadas na realidade: a vida e a morte, o que vem antes e o depois, as dificuldades diantes dos medos e limitações humanas. O jogo com o colorido enfatiza o dilema ‘‘que, neste fim-de-século, parece estar cravado no materialismo e imediatismo absurdo’’ - afirma.
• Exposição de pinturas de Cláudia Rezende - abertura amanhã, às 20h30, no Espaço Cultural Banestado (Av. Bandeirantes, 500), em Londrina. A exposição fica aberta até o dia 2 de outubro e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas.

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