ESTILO Folk em transformação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de março de 2003
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Para uma jovem de 25 anos, Sheila Rocha, estilista da Senõrita Rosita, a quarta grife a se apresentar no Curitiba Fashion Art, está em desabalado processo de evolução criativa. O tema folk, amplamente explorado ano passado por estilistas como Jonh Galliano e uma série de ''caronas'', não tirou o mérito criativo da estilista.
Sheila faz roupa para meninas, ou mulheres que não abandonaram um estilo mais livre de comportamento. Personagens como a Aline do cartunista Adão Sturragai ou a Rebordosa de Angeli ganharam várias peles na passarela da Senõrita Rosita.
Os momentos iniciais da apresentação mostraram uma visita legal à Tailândia. Vestidos-camisola com detalhes em fios dourados ou nas costas ou em bordados parecidos com riscos em desordem. O ar blasé das modelos não tirou a pureza que as criações queriam imprimir.
A libélula estampada atrás de uma das peças queria dizer que a grife está em processo constante de transformação e que a especialização de sua criadora que já tem até mestrado de moda na Itália está valendo a pena. O acabamento das roupas mostra bem esta preocupação em unir o que é belo àquilo que vai funcionar e permanecer no guarda-roupa por longa data.
As blusas-quimono, os vestidos jeans soltos e longos com capuz, as saias jeans e os tricôs pesados misturados a essas peças leves mostraram o lado cosmopolita da roupa feita em Curitiba. Um alívio para quem imaginava que o Curitiba Fashion Art corria o risco de ficar só na alusão às araucárias.
Nada disso, Sheila Rocha vai mais longe ainda quando coloca na passarela casacos longos feitos com um tecido com aparência de feltro (será?) cheios de aplicações coloridas de flores e galhos. Por um segundo as modelos parecem vasos de flores quando surgem saias levemente evasês com as mesmas aplicações e uma básica t-shirt preta.
Não ficando somente em roupas, Sheila tem um grande talento para acessórios. Cria bolsas com aplicações, colares rústicos e dá espaço para o trabalho artesanal das comunidades carentes da cidade aparecerem. Foi o caso das bolsas de retalhos feitos pelas mulheres da extinta Vila Pinto, agora Vila das Torres. Elas brilharam.
Enfim as roupas da Senõrita Rosita são inteligentes, funcionam em qualquer parte do planeta e mostram um amadurecimento que a moda local sempre sonhou e que agora está vendo nua, crua e bela na sua frente.


