Os indies podem ganhar, a partir da próxima semana, uma festa periódica em Londrina. O lançamento está previsto para terça-feira no bar Valentino, com discotecagem do DJ Fábio Galão. A idéia é reunir os simpatizantes do estilo em noitadas mensais ou quinzenais, dependendo do sucesso da ''estréia'' e da agenda da casa.
A ''Terça Tilt'', como foi batizada a balada, anuncia no cartaz alguns dos sons que serão privilegiados no set destacando desde pioneiros do garage rock como MC5 e Iggy Pop a expoentes da nova safra pop como The Rapture e Hot Hot Heat, passando ainda pelo mod dos Kinks e a mítica banda dos anos 80 The Smiths.
Pela lista, o que se constata é a elasticidade do rótulo ''indie'', tão abrangente quanto vago. ''O indie rock é de difícil definição. Inclui guitar bands, britpop e eletrônica. As bandas trazem uma herança do punk, só que são mais dançáveis e menos pesadas. Trazem uma herança do punk também em relação ao mercado, com a atitude de produzir discos sem depender de grandes gravadoras'' diz Denoir Rosa, proprietário da loja de CDs Garageland.
Segundo ele, os indies não existem enquanto uma ''tribo'' reconhecível como os seguidores do metal, punk, psychobilly ou hip hop. Pelo menos em Londrina, seus adeptos não frequentariam bares específicos, nem usariam roupas e cortes de cabelos típicos como ocorre em algumas capitais. ''É uma turma que fica mais enclausurada, baixando músicas da Internet'' salienta.
O termo ''indie'' foi importado de revistas musicais inglesas, que adotaram a tarja na virada dos anos 80 para os 90 para designar bandas que gravavam seus discos por selos independentes. Nos Estados Unidos, as publicações preferiam usar a expressão ''alternativo'' para catalogar o gênero. O produtor André Guedes, que apresenta aos sábados o programa ''Outside'' na rádio Universidade FM, localiza o princípio da cena nas faculdades americanas, onde bandas emergentes se apresentavam e eram divulgadas através das rádios universitárias (as college radios).
''Elas tinham um estilo independente de levar o rock, fugindo do grande mainstream. Suas músicas tinham guitarras distorcidas e uma preocupação sempre com as melodias, influenciadas ao mesmo tempo pelo punk rock e pelos Beatles'' diz ele, acrescentando que essas características permanecem até hoje entre as novas gerações. O DJ Fábio Galão ressalta a falta de técnica, a ausência de virtuosismo, as guitarras de poucos acordes e o tesão genuíno como algumas das marcas das bandas indies.
Quem quiser conferir, é na próxima terça, no bar Valentino, com entrada franca.

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