Curitiba - A palavra em si já virou moda. Customizar significa transformar a roupa para dar identidade à peça. Mas há quem reclame que até esse processo, que surgiu para diferenciar as roupas fabricadas em série já virou industrial. Coisas do mercado. Mas também há quem não reclame e coloque a mão na massa para protestar contra esse inevitável sistema. Exemplo são as roupas criadas pelo estilista Charlye Piscini, que une o tricô e o jeans em uma performance ousada e original. Os modelos customizados são produzidos em peças únicas. Os jeans, com apliques inusitados que vão desde rebites metálicos a tecidos como lona e couro são únicos até na numeração.
''A idéia é que a pessoa possa ter uma peça exclusiva. Afinal, quem não quer ter um modelo único?'', questiona o estilista. É ele quem assina todas os modelos que a partir de hoje vão estar expostos na loja Nu. jeanswear. É a primeira vez que ele o sócio, Flávio Maia, colocam as peças na vitrine de uma loja própria, mas antes já trabalhavam vendendo os modelos exclusivos para lojistas. ''Nós pensamos no jeans e no tricô que são coisas que todo mundo gosta e unimos os dois porque dá um ótimo casamento'', conta.
A exclusividade, conforme salienta Piscini, é um diferencial para competir no mercado. O estilista é catarinense, mas foi em Curitiba que começou a se dedicar a gerência de lojas de roupa e posteriormente à criação de peças próprias. Ele analisa o mercado da moda paranaense como promissor, mas lamenta a falta de apoio do poder público para criação, produção e eventos de modas. ''Por enquanto nosso objetivo é mostrar as nossas peças na loja, mas a partir do próximo ano já queremos participar de eventos de moda, sim'', revela.
Para criar a coleção inverno, que está exposta na loja, Piscini apostou no diferencial. As peças abusam de bordados diferenciados e peles sintéticas nas blusas, vestidos, casacos, saias e acessórios de tricô. ''Trabalhamos o tricô de forma glamourosa, como é feito no exterior, e não somente para aquecer, como é feito no Brasil. Nosso tricô é para que as pessoas se sintam chiques e à vontade ou vestidas para ir à uma festa'', explica Charlye. As cores usadas nesta coleção são o vinho, o bordô, o roxo, o violeta e muitos verdes, todas numa leitura vintage.
Além de blusas e calças jeans, a coleção inverno assinada pelo estilista traz blusas e cintos em tricô. Os sócios trabalham com mão-de-obra paranaense. Piscini argumenta que essa é uma tendência que está de volta. ''A moda está voltando a valorizar as coisas feitas à mão. Hoje, o artesanato, o tricô manual, por exemplo, estão em alta''.
A Nu.jeanswear terá duas coleções por ano. Serão apenas seis unidades de cada modelo de tricô e uma de cada jeans. Mas o cliente poderá encomendar alguma peça que ele tenha na cabeça, mas não na loja. ''Se o cliente gostou do modelo e não tiver o número dele, por exemplo, pode encomedar uma peça. Vai ser parecida, mas não vai ser igual'', diz Piscini.
O estilista argumenta que todo esse trabalho e exclusividade não reflete necessariamente no preço da peça. ''Queremos que todas as pessoas que desejem ter uma peça nossa, possam ter. Nosso custo vai ser de acordo com a realidade brasileira'', argumenta. A loja terá duas coleções por ano.

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