Curitiba - Pérolas, visom, zebras e atitude indie fizeram uma miscelânea de estilos, anteontem à noite, quando o governador Roberto Requião (PMDB) reinaugurou o Museu Oscar Niemeyer, com uma rápida solenidade e um coquetel para 500 convidados.
De tudo que se pode comentar a respeito da atual corte, um termo bem batido pode ser usado: é eclética. Há os que se dizem próximos do governador e de Maristela Requião e não abrem mão de ir aonde eles vão, tipo um cortejo mesmo e aqueles que não estão nem aí, vão para apreciar a beleza da obra e conferir a evolução da cultura no Estado.
Na chegada de Requião ao prédio belíssimo e iluminado, quando o próprio subia a rampa de acesso, já se avistou os ''chegados'' do homem. Alguns realmente eram, outros não. A velha atitude de se fazer parecer íntimo dos poderosos é milenar e ainda vale na sociedade do Século 21. Com algumas diferenças: hoje quem anda atrás de gente poderosa, geralmente está sem poder algum. Antigamente o séquito era, na grande maioria, de nobres que faziam companhia ao maioral.
Lá dentro do olho do museu o Oscar Niemeyer é em forma de um olho gigante de vidro se aglomeravam os convidados para a solenidade. Arquitetos, jornalistas, artistas, publicitários, políticos, os filhos de muitos desses e, é lógico, os furões, gente que está em todas e que, às vezes, não tem a mínima idéia do porquê está acontecendo o evento.
Mas vamos lá, falar de estilo, comportamento, com que roupa elas e eles foram? A diretora do museu e também primeira-dama do Estado, Maristela Requião, estava clássica. Ou seria básica? Na verdade as duas coisas, no dicionário da moda, os básicos são clássicos eternos. O pretinho básico da primeira-dama pode ser intitulado de básico-clássico e unido ao escarpin preto e à gargantilha de pedras preciosas e ouro no pescoço, a colocaram em uma situação confortável perante os críticos de estilo. Ela é discreta mesmo, nem poderia aparecer de outra forma.
Já as convidadas protagonizaram momentos bons. Tirando o exagero das peles não estava tão frio assim os acertos foram mais evidentes que os erros. Pérolas brancas e negras são sempre elegantes. Ficam bem em qualquer situação do dia ou da noite. Podem ser usadas até com uma camiseta branca que nunca ficam fora de onda. Nunca mesmo.
O estilo oriental também pisou forte no coquetel. Algumas convidadas usaram as estamparias coloridas e sedosas. Sendo perigosas para as mais baixinhas e gordinhas, as roupas inspiradas nos trajes chineses não precisam estar nos editoriais de moda para serem usadas. Basta ter bom senso. São um estilo e não uma moda. Porém, ontem, sobretudo, não caiu bem, ainda mais depois da polêmica em torno da vinda fracassada da exposição chinesa Guerreiros de Xi'an.
Os famosos exageros que, a uma certa época, estigmatizaram as curitibanas de ''peruas'', vivem dias de naftalina. Ainda bem. As mulheres ficam mais belas, quando não se rebuscam muito. A beleza tem que transplantar a produção. É o caso da filha do famoso arquiteto Orlando Busarello, a Daniela. Uma das mais modernas do evento. Calça preta, estilo sportswear, blusa também, uma tiara delicada de prata no cabelo (meio rococó) e uma mochila Louis Vuitton vermelha. Nada de logos, é a bolsa que aparece e não a grife.
As crianças e jovens, que ainda dão os primeiros passos nas searas da arte do Paraná, apareceram ''super'' bem, como usam os paulistas modernosos em quase todas as frases que falam. Uma menina vestida de ''menina'' com meias coloridas e sapato estilo ''melissa'' de plástico prova que vestir crianças de roupas que parecem bolos de aniversário já não está mais rolando.
O garoto Bruno Tomé escolheu uma calça e um blazer, vintage, e um sapato bicolor para fechar o visual com o cabelo black power. Fez o contraponto aos modelos na grande maioria clássicos que os homens estavam usando e mostrou que existe modernidade, sem cópias na cidade.
Foi uma festa legal. Sem exageros, sem sofisticação no bufê, que serviu apenas salgadinhos e vinho tinto aos convidados e colocou mesas com vasos de vidro cheios de sonhos de valsa que o povo não parava de comer, enquanto ouvia as autoridades.
Sem protocolos rígidos e pouca preocupação com o assunto, o atual governo se mostra, aparentemente, popular, sem perder a elegância. Amostra dada pelo governador, ao pronunciar palavras de elogio a seu antecessor, Jaime Lerner (PFL), por ter realizado a obra gigantesca que herdou e que entregou novamente à população do Paraná anteontem.

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