‘‘A América-Latina desenvolve uma estética muito particular. Uma arte contemporânea, mas vinculada a múltiplas culturas - como a afro, a indígena e a européia - e ao modo de manifestação destas mesclas em vários países.’’ A opinião é de Tomás Ybarra-Frausto, diretor de Artes e Humanidades da Fundação Rockefeller, dos Estados Unidos, instituição mantenedora da Rede de Promotores Culturais da América Latina e do Caribe. Ele esteve em Londrina para acompanhar o 9º Encontro anual da Rede, evento termina hoje, após sete dias de reuniões com 24 núcleos de 22 países.
Em entrevista à Folha2, Ybarra-Frausto falou sobre a fundação, seus objetivos, a importância do trabalho da Rede e a realização da reunião anual em Londrina.
Tomás Ybarra-Frausto trabalha na Fundação Rockefeller há cerca de 10 anos. Ele explica que a instituição, que tem sede em Nova York, é uma das pioneiras e das mais importantes na filantropia internacional. Fundada em 1913, seu lema é ‘‘o bem-estar da humanidade’’. ‘‘A fundação tem diferentes áreas de apoio, como a que eu trabalho, Artes e Humanidades. Mas tem também o lado da ciência, agricultura, saúde, trabalho, empregos e outras’’, comenta.
A Fundação Rockefeller tem acompanhado o trabalho da Rede desde sua criação, em 1990. O motivo que levou a instituição a apoiar esta organização não-governamental (ONG) foi o fato de a cultura latino-americana estar posicionada num nível simétrico de desenvolvimento internacional. ‘‘Começamos com a idéia de que em muitas áreas existe assimetria entre os Estados Unidos e a Latino-América, como por exemplo, em economia ou ciência. Mas em cultura estamos no mesmo nível. E pensamos que seria bom apoiar algo diferente...’’, relata.
O diretor detalha que como a América Latina é tão vasta, a idéia era apoiar essa Rede para que os produtores se conhecessem mutuamente e vissem o trabalho dos artistas de diferentes regiões. ‘‘Por exemplo, que no México se conhecesse a música, dança e as produções culturais do Peru. E que o Peru conhecesse o que se está fazendo na Centro-América’’, diz. Em síntese, a idéia era apoiar o contato dos artistas e, ao mesmo tempo, encontrar pontes de comunicação e informação.
A avaliação do diretor sobre o trabalho dos membros da Rede de Promotores é positiva. Na opinião de Ybarra-Frausto, tem sido um desenvolvimento gradual, mas bem pensado. ‘‘Primeiro, começou como uma rede latino-americana que deveria ter elementos de todas as partes do Cone-Sul. Logo se agregou a Centro-América e, em seguida, o Caribe. Agora, atingiu todo o continente, inclusive os Estados Unidos’’, completa.
Esta é a segunda reunião da Rede que Ybarra-Frausto participa. A primeira vez foi em Parati, no Rio de Janeiro. Para ele, o fato do encontro deste ano ter sido transferido para Londrina (seria no Equador) tem duas razões. ‘‘Esta é uma reunião extraordinária e pensamos que seria muito importante vir a Londrina, porque a cidade é a oficina central, a raiz, a sede de toda a Rede. Seria muito importante que todos viessem conhecer a equipe que trabalha aqui, coordenada por Nitis Jacon’’, conta.
A outra razão é o Festival Internacional (Filo) que começa amanhã. ‘‘Esse festival de teatro é muito importante, internacional, e como trabalhamos em cultura, é como apoiar esse outro esforço que tão bem a Rede faz.’’ Para ele, o Filo é um dos grandes eventos internacionais na área. ‘‘É reconhecido nos Estados Unidos, na Europa, onde queiram; é uma grande tradição’’.

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