A segurança de Giselle Itiê após a metamorfose física de sua personagem Bela em Valentina, em ''Bela, A Feia'', trouxe ganhos nítidos para a trama da Record. Além do fôlego da audiência da trama, que se eleva com média de 15 pontos, a história ficou mais atraente. A começar pela visível química em cena da personagem de Giselle com Bruno Ferrari, que vive o simpático engomadinho Rodrigo. Muito à vontade em cena, o casal de atores conseguiu transformar um texto quase piegas em tomadas sofisticadas, com uma estética interessante e uma cumplicidade que parece ter sido ensaiada há tempos. Com os cabelos longos soltos, vestidos justos e uma maquiagem bem acabada, a curvilínea Giselle mostra que foi a atriz correta na escalação da personagem. Principalmente pelos detalhes, como conservar o sorriso característico de sua fase como a mal-ajambrada Bela de semanas atrás.
Essa modificação da ''gata borralheira'' parece ter refletido positivamente pelos demais núcleos da história. A começar pelo popular núcleo da Zona Portuária, encabeçado pelo carismático Bemvindo Sequeira. Cada vez mais convincente na pele do dono de bar, o ator consegue erguer todas as cenas com o escrachado Nelson, de Cláudio Gabriel. Mesmo em papéis que poderiam derrapar para a caricatura, ambos mostram que é possível elevar o nível da trama apenas pela atuação.
O mesmo não se pode dizer dos vilões de ''Sessão da Tarde'' da história. André Mattos insiste na mesma risada em quase todos os seus personagens, como se estivesse num quadro do ''Zorra Total''. E Simone Spoladore, atriz ''cult'' e de timbre grave, tem exagerado como a antipática Verônica.
Em meio a esses cenários contraditórios e uma direção consistente de Edson Spinello, a história também se destaca pela agilidade da edição. Tem sempre algo acontecendo que consegue prender a atenção numa mistura de humor com drama e romance. Pelo menos o suficiente para fazer de uma adaptação latina, quase sempre recheada de excessos, um produto atraente para a tevê brasileira.

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