''Beleza Pura'' é um bem-sucedido mosaico de clichês. Desde a mocinha órfã Joana, de Regiane Alves, passando pela loura rica e má Norma, de Carolina Ferraz, e o pobretão Robson que vira milionário, vivido por Marcelo Faria, a trama da estreante Andrea Maltarolli não seduz por tipos originais. Eles praticamente inexistem na história. Mas atrai pela costura bem-humorada entre as cenas, sempre recheadas de diálogos ingênuos, mas com a comicidade leve que o horário exige. Saem de cena os homens seminus e as insinuações de sexo de Carlos Lombardi e as histórias inspiradas em quadrinhos de Antônio Calmon. E entra no ar a simplicidade dos estereótipos, com pitadas de inocência e muito humor. O que parece ser mais do que suficiente.
Dentre os núcleos que mais se destacam, Zezé Polessa e Ísis Valverde, como a ex-chacrete Ivete e a aspirante a dançarina Rakelli, respectivamente, estão com um ótimo ritmo nas cenas de humor. Elas contam com um diálogo rápido, que exige um ''timing'' apurado para não cair na caricatura. Ambas são velozes e perspicazes nos detalhes minuciosos de suas personagens. Obra também da direção geral de Rogério Gomes, que deu o tom descontraído para as cenas desde o início da trama, que manteve um ibope que varia entre 28 e 30 pontos de média, praticamente igual à trama anterior, ''Sete Pecados''.
Para tentar alavancar a audiência do horário, o autor Silvio de Abreu, que supervisionou a fracassada ''Eterna Magia'', foi escalado para assumir a supervisão do texto da novata em novelas. Como a intenção da emissora é voltar a se estabilizar com a média de 35 pontos no horário - o que não acontece desde ''Cobras & Lagartos'', em 2006, que alcançou 38 pontos de média - Silvio, além de direcionar o trabalho de Andrea, ainda frequentou os estúdios para acompanhar a tarefa dos diretores no início da história.

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