São Paulo, 18 (AE) - A primeira individual que Ester Grinspum realiza após sua chegada ao País mostra que a melhor solução para um nó pode ser, em vez de seu desenlace, sua incorporação. Pelo menos é o que ocorre com seus relevos e esculturas, reunidos sob o título de "O Nó", que estarão à mostra a partir de amamnhã (19), na Galeria Marília Razuk. Os trabalhos apresentam o impasse como parte integrante da obra, quando não como a própria obra.
A idéia de nó foi traduzida materialmente nos relevos-objetos de Ester pelo trançado de ráfia. A trama, em determinado momento da composição, tem os fios enroscados, criando a idéia de tensão embaixo das camadas sobrepostas de folhas de papel japonês (dez, ao todo). A imagem assemelha-se aos nódulos formados pela fibra muscular humana, quando exposta a grande tensão. Carne e pele - A analogia à carne e à pele é reforçada ainda pelos tons avermelhados e alaranjados do papel japonês. As lâminas em formato retangular foram tingidas com pigmento que a artista encontrou em Roussillon, a região da Provence, na França
onde ela passou os últimos dois anos produzindo sua primeira publicação, "O Livro do Pleno", ainda sem patrocínio.
Foi na França também que ela realizou 11 dos 12 trabalhos da exposição. Apenas um dos relevos foi feito em São Paulo. Com ele, a artista criou o maior e mais protuberante nódulo da mostra, um resultado de seu reencontro com São Paulo - Ester voltou em setembro, época em que ocorreu uma série de rebeliões na Fundação Estadual para o Bem-Estar do menor (Febem). Embora não seja afeita à arte-denúncia, a artista diz que esse reflexo foi inevitável, uma tensão transmitida na primeira obra que o espectador vê quando chega à galeria.
Mas, se os relevos têm como resultado primeiro a idéia de confronto, as esculturas de cobre trazem um sentido de envolvimento, de ligação. Com suas formas circulares e convexas, as peças criam a noção de invólucro, um sentido que pode ser apreendido também do material - o cobre -, que compõe as ligas de condução de energia.
Ester acredita que esse sentido ambíguo faz parte da exposição como um todo. "A idéia de nó da mostra está muito ligada ao discurso de Aristóteles sobre o assunto, na Poética", observa Ester. Mas, além do binômio impasse/agregação, a mostra também apresenta um terceiro caráter para seu título, a idéia do turning point - ou ponto de virada - que parece estar embutida nessa exposição, a mais orgânica realizada pela artista plástica. Embora ela ressalve que a idéia de pele já esteve presente na sua série Estigmas, vista por aqui antes de sua viagem à França. (A.W.) Serviço - Ester Grinspum. De segunda a sexta, das 10h30 às 19 horas; sábado até 13 horas. Galeria Marília Razuk. Avenida Nove de Julho, 5.719, tel. 881-9853. Até 20/5.

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