Estado não libera verba e compromete o FILO
As apresentações em locais públicos vão ganhar mais destaque na edição 99 da fase internacional do Filo. Das catorzes companhias convidadas para o evento, que acontece de 1º a 13 de junho, oito estarão mostrando suas performances em diversos pontos da cidade, como o Calçadão, feiras livres, Shopping Catuaí, câmpus da Universidade Estadual de Londrina e também em alguns bairros da cidade.
Além da boa intenção de levar teatro aos quatro pontos cardeais de Londrina, há um outro motivo que fez a cúpula do Filo optar por esse tipo de apresentação: a necessária redução dos custos. Todos os anos o Festival constrói teatros e isso, por custar muito caro, precisa ser cortado nesta edição - explicou Nitis Jacon, ontem em entrevista coletiva à imprensa, referindo-se a espaços adaptados, em edições anteriores, que acolheram espetáculos.
E não são apenas os espaços que precisam ser cortados para que a Mostra internacional aconteça. Nomes também tiveram que ser riscados da lista inicial. Uma das ausências mais sentidas e que provavelmente seria a grande atração, de acordo com Nitis Jacon, é Slava Polunin, de São Petersburgo (Rússia), considerado um dos grandes mestres mundiais do clown.
Para a fase internacional, o festival está trabalhando com um orçamento próximo a R$ 1 milhão. Até agora pode-se ter como garantidos cerca de R$ 800 mil, dos quais R$ 100 mil provenientes da Prefeitura de Londrina e o restante da iniciativa privada que, surpresa agradável, não se fez de rogada para investir no Filo. Os patrocinadores oficiais são Tim Telepar Celular, Eletrobrás, Prefeitura de Londrina, Ministério da Cultura e, provavelmente, o governo do Estado.
Provavelmente porque até agora a diretora do Filo não obteve resposta satisfatória sobre a verba de R$ 200 mil que seria destinada ao festival pela Secretaria Estadual de Cultura. É que essa importância, ainda segundo Nitis, não teve ainda o consentimento de repasse do Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado (Crafe), criado no final do ano passado e vinculado diretamente ao gabinete do governador do Estado. O órgão é responsável pelo veto ou liberação de recursos recomendados por todas as secretarias estaduais.
Sem essa quantia, como explica a diretora, corre-se o risco de ocorrerem alterações na grade de programação. Em outras palavras, alguns grupos poderão ser cortados. Somos obrigados a informar nosso público que estamos com dificuldade de receber essa verba- afirmou Nitis. Para nós da Cultura, o Crafe parece um pouco o AI-5 porque está censurando esse financiamento do nosso festival- complementou.
Em tom crítico, e por ora dramático, a diretora informou que em março a Secretaria de Cultura teria remetido o processo de liberação dos R$ 200 mil para a Secretaria da Fazenda. Na última reunião do Crafe, realizada há alguns dias, os membros do órgão ainda não haviam decidido pela liberação ou não. Parece que nosso festival não é visível por algumas autoridades- salientou.
Nitis disse que tentou todos os caminhos possíveis e não conseguiu. Nem mesmo as intercessões da vice-governadora Emília Belinati, do deputado Durval Amaral e até da própria secretária Lúcia Camargo foram suficientes para o dinheiro ser liberado pelo Crafe. Mais que uma crítica, esse é um apelo para que o governo nos ajude pelo menos a encontrar um caminho para conseguir os R$ 200 mil- frisou Nitis. O Filo é promovido pela Universidade Estadual de Londrina e Núcleo 1. A edição deste ano conta com o apoio da Copel, Sercomtel, Banestado e Caixa Econômica Federal.Paulo WolfgangNitis Jacon: Mais que uma crítica, esse é um apelo para que o Estado pelo menos nos ajude a encontrar um caminho para conseguir os R$ 200 milAntônio Mariano Júnior





