O ruim deste novo espetáculo do mais ou menos precário diretor Paul W. S. Anderson (''Residente Evil'', ''Alien X Predador'') não é a falta de originalidade. Afinal, trata-se da refilmagem de ''Death Race 2000'', sátira futurista nada sutil sobre corridas clandestinas realizada em 1975 por Paul Bartel, com produção do sempre rústico mas eficaz Roger Corman, aos 81 anos fazendo aqui as vezes de produtor.
O que complica em parte a existência deste filme é que, como a trama é bem indigente, os quatro roteiristas (Anderson incluído) tentaram nutrir o protagonista (Jason Statham, metido no mesmo papel que vem interpretando há cerca de cinco anos em outros tantos filmes) de uma profundidade emocional que definitivamente não existe. Ao redor dele colocaram uma antagonista carismática na pele da diretora da prisão (Joan Allen) e pelo menos alguns personagens secundários dotados de certa personalidade.
Trata-se, claro, de preencher os vazios que se alternam com o verdadeiro prato de resistência da função: as espetaculares sequências automobilísticas. A propósito desta ação frenética sobre rodas, Anderson armou quase um fac-simile de videogame, de tal modo que o personagem-motorista principal, injustamente condenado à morte, tem que superar três fases para alcançar preciosa meta na tal corrida mortal. Ao seu redor, inimigos com armas e sistemas de defesas somente ativados quando o carro passa por cima de certas partes da pista.
Este ''Corrida Mortal'' (confira a programação de cinema na página 2) transfere a profecia do primeiro filme ao ano de 2012, e carrega a irônica pretensão de vaticinar uma crise econômica nos Estados Unidos - como se vê, a sorte acenou para a estréia do filme e antecipou o caos dos bancos. Talvez por isto mesmo o lançamento por lá foi enorme fracasso, com US$ 35 milhões de bilheteria contra anunciados 45 de orçamento.
Ao mesmo tempo, há sugestões sobre privatização de presídios e referências ao império dos ''reality shows'' na montagem de espetáculos de velocidade e sadismo. Para sorte do espectador, como sempre no cinema raso de Paul S.W. Anderson as intenções de denúncia não são levadas a sério nem por ele mesmo. O que neste caso, sem dúvida, é uma virtude do diretor e um alívio para o crítico, poupado assim de qualquer veleidade intelectualóide. (C.E.L.J.)

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