Esquiadores fazem tudo pelo ''powder''
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terça-feira, 13 de setembro de 2005
Silvia Campos<br> Agência Estado 
Eles pagam caro, caminham por horas e colocam a vida em risco. Tudo para encontrar o powder uma obsessão entre esquiadores e snowboarders do mundo todo. Powder significa talco, em inglês, mas o pó branco que estes aventureiros buscam não é vendido em farmácia. Neste caso, a palavra é usada para descrever a neve fofa e intocada, que às vezes chega a ter mais de um metro de profundidade.
''É um vício'', admite a campeã brasileira de snowboard, Isabel Clark Ribeiro, de 28 anos. Para desfrutar do powder, porém, é preciso fugir das pistas arrumadas por máquinas e dos centros de esqui lotados e ir para o backcountry, ou a área fora das estações.
Uma das maneiras mais fáceis de chegar até o backcountry é de helicóptero. A prática, chamada de heliski ou heliboard (para esqui ou snowboard), se popularizou no Canadá e hoje é comum nos principais centros de esqui, até mesmo na América do Sul. E os brasileiros já começam a gostar do esporte. ''Semana passada, vieram 16 esquiadores do Brasil'', conta o chefe do heliski no resort de Valle Nevado, no Chile, Miguel Ledda.
O apresentador de televisão Luciano Huck é um dos adeptos mais famosos da prática. ''Com boas condições de neve, é quase um prazer sexual'', diz. Ele já fez dez descidas de heliboard e uma de heliski.
O único problema da atividade é o preço isso, claro, para os poucos que se preocupam com esse ''detalhe''. Em Valle Nevado, cada descida custa a partir de US$ 135 por pessoa, desde que o helicóptero vá com a capacidade máxima: quatro esquiadores. Pacotes para praticar o esporte na América do Norte, com hospedagem e passagem aérea incluídas, têm preços entre US$ 2 mil e mais de US$ 5 mil.
Mesmo assim, muitos acreditam que o investimento vale a pena. Caso do geofísico Eduardo Pedreschi, de 39 anos, que não se arrepende de ter desembolsado mais de US$ 5,5 mil por uma semana de heliboard nas Montanhas Rochosas canadenses. Pelo contrário: ele gostou tanto da experiência que acaba de fechar um pacote para repetir a dose em março de 2006.
''No primeiro dia, a neve estava até a cintura'', lembra, com saudades. ''O gostoso é andar onde ninguém pisou. Na neve fofa, o snowboard se parece com o surfe'', comenta.


