Esquiadores dão dicas para economizar nos EUA
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - Como economizar o máximo em uma viagem de esqui na América do Norte? ''Dormir em uma Kombi, subir as montanhas a pé e comer as bolachinhas que são distribuídas gratuitamente nos restaurantes.'' O conselho, que parece meio maluco, é do economista Fábio Ribeiro, de 27 anos.
Em 1995, ele e o amigo Daniel Arruda fizeram tudo o que foi descrito acima em uma viagem para o Colorado, nos Estados Unidos. Como resultado, conseguiram passar um mês e meio esquiando em algumas das melhores montanhas do mundo. Cada um gastou apenas cerca de US$ 1.300 na aventura, sem contar o preço da passagem aérea. ''A gente tinha dinheiro para ficar uma semana numa viagem normal. Conseguimos ficar seis'', relata.
Ao todo, os dois visitaram 20 estações no Estado americano incluindo as badaladas Aspen e Vail. Ribeiro e o amigo desembarcaram em Denver com apenas uma noite de hotel reservada na cidade. A capital do Colorado era o ponto de partida para a aventura. ''Primeiro, a idéia era alugar um carro e dormir num Bed & Breakfast (B&B). Depois, vimos que o aluguel ia ficar muito caro.''
Daí surgiu a idéia de comprar um veículo usado. No fim, a dupla acabou encontrando um lugar para dormir, além de um meio para chegar até as pistas de esqui. ''Achamos uma Kombi de um velhinho que a usava para ir esquiar. Era totalmente adaptada. Tinha pneu para neve, aquecedor a gás e um buraco que servia de banheiro'', diverte-se.
O veículo, transformado em moradia, serviu a dois propósitos. Primeiro, rendeu uma boa economia em diárias. Dentre as cerca de 40 noites que Ribeiro e Arruda passaram nas estações de esqui do Colorado, apenas quatro foram em B&Bs. Segundo, os amigos tinham a vantagem de poder estacionar ao pé das montanhas.
A rotina do economista no Colorado começava cedo. Às 5 horas, ele e o amigo já estavam subindo a montanha a pé. O motivo para levantar de madrugada era não chamar a atenção dos guardas que fiscalizam as pistas de esqui e verificam se as pessoas pagaram pelo lift até o topo.
A estrutura dos resorts foi aproveitada ao máximo por Ribeiro. Os banhos eram tomados nos vestiários que ficam na base das montanhas. ''Tinha lugar para tomar ducha colocando uma moedinha de 25 centavos.'' Na hora das refeições, os amigos se aproveitavam das bolachinhas salgadas entregues pelos restaurantes com os talheres. Compravam um suco de tomate e misturavam com as migalhas das bolachas. ''Alguns lugares tinham até microondas e nós podíamos esquentar a nossa 'sopa'.''
O aluguel de equipamentos, que costuma custar cerca de US$ 30 por dia, também foi economizado. Ribeiro comprou botas e esquis usados antes de chegar às estações, na estrada que liga Denver a Aspen e Vail. ''Nos subúrbios de Denver há várias lojas de equipamentos usados'', indica.
Depois do fim da viagem, Ribeiro vendeu a Kombi, embora por muito menos do que tinha pago. Ele continua a ser um ávido esquiador, mas agora prefere dormir em camas de verdade e pagar pela comida nos restaurantes. A aventura pelo Colorado com o amigo, quando tinha 18 anos, no entanto, continua a lhe render boas memórias.


