As folhas das árvores não desaparecem no outono. Pelo menos aquelas escolhidas pelo artista gráfico Renato Larini, que foi até o Parque do Anhangava recolher esqueletos vegetais para compor seus fotogramas – processo onde os objetos são colocados diretamente no ampliador, sem ser fotografados anteriormente. Uma exposição desse material, intitulada ‘‘Anatomia’’, será inaugurada hoje, às 20 horas, no Miss Sô Bar, em Curitiba.
São 11 fotos em preto e branco, que mostram a precisão do rendilhado das nervuras das folhas que foram dispostas na área de exposição, de modo a ocupar o espaço, de acordo com o olhar experiente de Renato. O artista que vem de outras coletivas, realiza com ‘‘Anatomia’’ sua primeira individual.
As leituras desses fotogramas são variadas, dependendo de quem os vê. Há quem descubra nas imagens teias de aranhas, asas, células, brônquios, pulmões e colméias. Ou mesmo a mera imagem de folhas carcomidas pelo tempo, umidade e insetos.
Renato Larini utilizou para esse trabalho uma lâmpada de 40 watts e papel foto-sensível. Porém, antes de chegar a esta produção, percorreu um caminho de fotógrafo autodidata, a sua maneira. Quando completou 18 anos, ao invés de máquina fotográfica, adquiriu um ampliador. Montou um laboratório em seu quarto.
Começou então a trabalhar com fotos antigas da família, e, num segundo momento, explorou o uso de tecidos sobrepondo-se aos retratos. De etapa em etapa chegou às folhas. O que virá pela frente ele não sabe, mas uma coisa é certa: nas imagens ele traduz o seu olhar.
Anatomia – Fotogramas de Renato Larini, sobre esqueletos de folhas. Abertura hoje às 20 horas, no Miss Sô Bar, Rua Trajano Reis, 335, em Curitiba. As fotos estarão à venda por R$ 70,00.

mockup