Esportes radicais são atração de inverno
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quarta-feira, 10 de julho de 2002
Adriana Carranca<br> Agência Estado 
Campos do Jordão Até pouco tempo os esportes radicais não faziam parte das atrações da região de Campos do Jordão salvo para alguns poucos adeptos do alpinismo, que costumavam ser vistos pendurados em cordas nos paredões da Pedra do Baú e do Bauzinho. Hoje, quem está atrás de adrenalina pode se aventurar por trilhas em matas preservadas e fazer desde leves passeios de montain bike e quadriciclos motorizados, até atividades mais emocionantes como cascading (rapel em cachoeiras) e o arborismo.
Equilibrados sobre as copas de araucárias e pinheiros, os praticantes do chamado arborismo passam de uma árvore à outra em pontes improvisadas ou através, por exemplo, de uma tirolesa (corda amarrada em duas extremidades para que se escorregue de um lado a outro). Para chegar ao topo, eles têm de escalar troncos que ultrapassam 20 metros de altura e, depois, fazer o caminho inverso com a técnica do rapel. A aventura dura 40 minutos.
A atividade está disponível desde o último feriado em dois parques recém-inaugurados, um em Campos e o outro com acesso pela cidade, mas já localizado no município vizinho de São Bento do Sapucaí.
''A região tem grande potencial para o turismo ecológico e de aventura'', diz o guia de ecoturismo Márcio Corrêa do Prado, da Altus. ''Mas recursos naturais não bastam. Os visitantes devem estar atentos para normas técnicas e cuidados que devem ser seguidos, além de respeitar as áreas preservadas.''
Aberto no dia 30, o parque Altiplano do Baú tem uma área verde com cerca de 700 alqueires, sendo 20% deles de mata nativa intocável, e um pico que alcança 1.700 metros de altitude. O local oferece trilhas percorridas em 30 minutos.
Quase todos os passeios passam pela cachoeira do Toldi, a maior da região, com 80 metros de altura, onde os visitantes podem praticar o cascading. Com água espirrando no rosto, eles descem o paredão molhado e escorregadio apoiados em uma espécie de cadeirinha e amarrados a cordas. Quem tiver coragem de olhar para trás, verá um dos mais belos cenários da região: o Vale do Paiol.
A sede do novo parque funciona no pesqueiro Pesca na Montanha, com restaurante e lazer para crianças. De lá, partem grupos para passeios mais longos, que podem durar até dois dias, a pé ou de bicicleta. Em geral, o destino é a Pedra do Baú, tradicional pico de alpinistas que costumam enfrentar 340 metros de escalada morro acima, em cordas amarradas a 620 ganchos encravados na rocha, até chegar a um platô a 1.950 metros de altitude, de onde tem-se uma vista em 360 graus do Vale do Paraíba.
O parque oferece, ainda, trilhas de montain bike nos mesmos moldes das pistas de esqui americanas, com 7 quilômetros de extensão e cinco diferentes níveis de dificuldade. Há pistas mais fáceis, para iniciantes, e outras com obstáculos como rampas e pontes móveis.
''É muito bacana poder vir a Campos e fugir um pouco da agitação'', diz Débora Pirarelli Gurgel, que acompanhou de longe e com máquina fotográfica à mão, as filhas Débora, 17, e Luiza, 12, descerem um paredão de 45 metros, localizado em uma antiga pedreira. ''Achei o máximo'', diz Luiza que desceu a pedra duas vezes. No local é possível fazer caminhadas de 45 minutos e praticar arborismo. Mais tranquilos, os passeios de quadriciclos por estradinhas de terra divertem a garotada.


