Esportes e cachoeiras em cenários primitivos
Atividade ao ar livre é o que não falta nesse mundo perdido. Tem para todos os gostos. Vale começar com uma boa caminhada de 12 quilômetros beirando o Rio Novo, um dos últimos do mundo que ainda têm água potável. O destino é uma praia secreta, de areias alvas como a neve. Durante a trilha é comum encontrar pegadas de paca, capivara e até mesmo da temida suçuarana.
O cenário primitivo, composto por campos floridos e árvores retorcidas, tem como fundo musical o canto estridente de periquitos e papagaios. Avistam-se árvores nativas como o ipê-roxo e amarelo, o tinguí (cuja fruta é utilizada para fazer sabão), o pequi e a sambaíba. Há, também, palmeiras verdejantes como os buritis e as buritiranas, contrastando com a aridez do solo. No meio do programa, o banho de rio é inevitável, mesmo com a correnteza forte. Depois de vários mergulhos, a volta parece mais curta e o apetite aumenta.
A Serra do Espírito Santo, situada no centro do Jalapão, emoldura os chapadões de arenito sempre presentes no horizonte aberto. Na vertente de algumas dessas velhas montanhas formam-se dunas avermelhadas, onde o pôr-do-sol torna-se um espetáculo imperdível. Os que procuram adrenalina podem descer pelas ondulações arenosas numa sessão radical de sandboard.
Para ter uma visão geral do pedaço, o ideal é subir até o mirante do Morro do Fumo, de 848 metros de altura, o ponto mais alto do Jalapão. O caminho até o topo é íngreme, e o solo de areia e pedras soltas dificultam a subida.
Depois de todo o suadouro vem o melhor de tudo: cachoeiras e cascatas para amenizar as altas temperaturas. Os rios são usados também para a prática de esportes de aventura como bóia-cross e rafting.
Um dos pontos mais visitados por banhistas é a Cascata da Formiga, situada a 25 km de Mateiros. Suas águas transparentes e o fundo de areia fina e temperatura agradável são um eterno convite. Mas a recordista em altura do Jalapão é a Cachoeira da Velha. Ela tem duas quedas em forma de ferradura, com 25 metros e 100 m de largura. Diz a lenda que o fantasma de uma idosa costumava aparecer no local.
Não deixe de conhecer o Fervedouro, pequeno poço de água morna cercado de bananeiras, onde é impossível tocar o fundo. O fenômeno, chamado de ressurgência, ocorre por causa de um lençol freático que vem à tona. A água que brota do chão joga a areia para o alto e provoca pequenas borbulhas, empurrando as pessoas para cima.
Outra boa e divertida maneira de conhecer esse complexo ecossistema é em um bóia-cross pelo Rio Novo. São cinco quilômetros navegando à base de braçadas, atravessando trechos onde se alternam corredeiras, mata ciliar e águas plácidas, ótimas para um mergulho. Nas copas das árvores, a passarada acompanha curiosa o movimento dos visitantes. Às margens do rio, belíssimas praias. Em uma delas é feita a parada obrigatória para um rápido lanche.





