O esporte como ferramenta para educação e o desenvolvimento do potencial de 150 crianças de cinco bairros menos favorecidos da Região Oeste de Londrina há três anos e meio vem sendo o objetivo do Projeto Perobal, realizado na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Instituto Ayrton Senna - que no Paraná, além deste, apóia outro projeto semelhante na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Batizado de ''Educação pelo Esporte'', a metodologia complementar à educação formal já vem sendo aplicada em 14 projetos por vários estados brasileiros, atingindo mais de 10 mil crianças e jovens. Em Londrina, três vezes por semana, as crianças do ensino fundamental participantes do projeto têm a oportunidade de praticar gratuitamente diversas modalidades esportivas, assim como frequentar aulas de teatro e cerâmica. Na semana passada, a coordenadora do programa Cléo Araújo, do Instituto Ayrton Senna, esteve em Londrina para conhecer as atividades do parceiro londrinense. ''O nosso objetivo não é formar atletas, com alta performance esportiva. Temos o esporte como via de desenvolvimento humano de crianças e jovens, e não como um fim'', afirmou Cléo.
Segundo a coordenadora, o Educação pelo Esporte busca traduzir em competências reais os quatro pilares da educação estabelecidos pela Unesco em 1996 para o século 21, que são: aprender a ser, aprender a conviver, aprender a conhecer e aprender a fazer. Dentro desses princípios, são trabalhados com os participantes do projeto conceitos de auto-estima, conhecimentos cognitivos (como leitura, escrita e oralidade), competência produtiva, criatividade, solidariedade, cooperação, respeito às diferenças.
''Buscamos entender o esporte de uma maneira diferente, como forma de desenvolver essas competências, e frisamos a importância do planejamento, execução e avaliação de cada uma das atividade'', destacou. A parceria com universidades para o desenvolvimento do programa acontece desde o início da iniciativa, há dez anos, e Cléo salientou o quanto é comum verificar pelo Brasil afora a enorme quantidade de espaços ociosos que poderiam ser muito bem aproveitados para o desenvolvimento de milhares de jovens brasileiros.
Além de apoio na formação dos educadores e material pedagógico, o Instituto Ayrton Senna contribui com recursos financeiros para bolsas-auxílio de educadores, coordenadores e compra de lanches para crianças. Para este ano, o instituto destinou R$ 53 mil para o Projeto Perobal.
Orgulhoso quando fala do projeto, o coordenador geral do projeto em Londrina, Arli Ramos de Oliveira, do Departamento de Educação Física da UEL, relembrou do início das atividades e até da escolha do nome para o projeto, que remete às perobas do campus da UEL. ''Na época, várias perobas estavam morrendo e descobrimos que era necessário plantar outras árvores para servir de apoio para as perobas e ajudar a reter água para elas. É como se fossem as nossas crianças, que precisam atingir o seu desenvolvimento'', afirmou.
A decisão de aplicar o projeto na região Oeste foi tomada após uma análise socioeconômica que apontou o maior índice de criminalidade da cidade. A partir daí a Escola Estadual Dr. Olavo Garcia Ferreira da Silva, no Conjunto Avelino Vieira, passou a ser parceiro do projeto, já que recebe alunos dos bairros João Turquino, Olímpico, Maracanã, Avelino Vieira, Columbia e Universitário. ''Fui muito questionado se daria certo receber essas crianças, consideradas da periferia, na universidade, mas insisti. Na primeira vez, elas quase destruíram o banheiro e o ônibus, mas isso também serviu para o estímulo de uma reflexão em conjunto com elas. O nosso papel é fazer um resgate prático da cidadania dessas crianças e o potencializar os talentos que elas já possuem. A questão é oportunizar'', diz Oliveira.
Otimista com a redução do índice de internações de jovens da região Oeste no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaddi) - que no ínício do projeto era de 3,5% e agora é menos de 1% -, Oliveira atribui esse desempenho ao trabalho realizado pelo projeto em conjunto com iniciativas de igrejas e ONGs. ''Também fazemos um acompanhamento geral dos nossos alunos. Desde avaliação postural, capacidade motora e neurológica, até o índice de evasão, que está abaixo da média nacional (8%). É indescritível falar da alegria de ver esse projeto sendo realizado, ainda mais agora que já está servindo de base para trabalhos de iniciação científica e estágio acadêmico complementar. Mas sempre aviso: aqui não é só para cumprir carga horária. Tem que ter alma, garra e envolvimento'', ressaltou o coordenador.
Os ônibus para levar às crianças à UEL é cedido pela companhia de Transportes Grande Londrina. O projeto está aberto para a parceria com outros cursos, inclusive de outras instituições. Voluntários também podem participar. Mais informações pelo telefone (43) 3371-4228.

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