Esporte e point de jovens em Campeche
Florianópolis - Definitivamente, as praias de Joaquina, a Mole e a Brava deixaram de ser os únicos redutos da juventude em Florianópolis. Desde o verão passado, a Riozinho do Campeche vem chamando a atenção da garotada. A tendência já foi notada pela Secretaria de Turismo e hoje estima-se que essas areias - um trecho da extensa praia de mesmo nome - reúnam cerca de 15 mil pessoas por dia na alta temporada. É gente que adora tomar sol, fazer alguma atividade física e, depois, ficar longas horas na sombra providencial de um quiosque, bebericando cerveja gelada. Por lá, imperam o frescobol e o futevôlei. Mas o kitesurfe também está ganhando espaço. Praticado com prancha e vela, usada como se fosse uma pipa, o esporte encontrou bons ventos no Campeche.
''Isso aqui era um point secreto, mas agora virou notícia'', diz Marco Antônio Santos, dono de alguns terrenos e supersolícito com os turistas, além de faixa-preta de jiu-jítsu. É dele a Academia Performance, referência para chegar ao Riozinho, que fica na altura do número 300 da Avenida Campeche. Do verão passado para cá, Santos colocou placas na via para indicar a praia e ampliou seu estacionamento. Em vez de 400 vagas, agora são 1.000.
Uma vez na região, aproveite para fazer o passeio de barco até a Ilha do Campeche, onde você vai encontrar pinturas rupestres, pequenas trilhas e comida caseira a preço acessível. Mas fique atento, pois a entrada de visitantes é limitada. Por isso, reserve o programa com antecedência. O passeio custa, em média, R$ 25.
É curiosa a origem do nome Campeche. Poucos poderiam imaginar, mas tudo começou com Antoine Saint-Exupéry, autor do conhecido livro ''O Pequeno Príncipe'', que também virou nome de avenida. Ex-piloto de avião, ele trabalhava para a Latécoère, dos correios da França. Como voar da Europa para a América do Sul não era fácil no fim dos anos 1920 - o avião precisava ser reabastecido em navios no meio do Oceano Atlântico -, os pilotos daquela época eram considerados verdadeiros aventureiros.
Por isso mesmo, Saint-Exupéry recebia tratamento de visitante ilustre quando fazia escalas em Florianópolis. Em almoços com pescadores, sempre pedia, em português, comida ''com peixe'', mas o sotaque francês fazia parecer ''campeche''. Pronto, surgia aí o nome da vila, que depois virou bairro. O escritor teve de voltar a seu país por causa da guerra - e não pôde mais assistir ao crescimento de Floripa.
Não conheceu, por exemplo, o Bar do Arante, que fica a 15 minutos de carro a partir do Campeche. O local, criado em 1958, começou a ficar famoso na década de 1970, quando aventureiros descobriram a Praia de Pântano do Sul. Eles passavam pelo barzinho e ali deixavam bilhetes com a indicação de onde estariam acampados, para que seus amigos pudessem encontrá-los depois.
Os bilhetes ficaram e a coisa virou moda. Os donos já contaram mais de 70 mil papéis colados na parede. Hoje, há comida boa e a cachaça é de graça. ''Depois da primeira, todo mundo vira poeta'', diz Arante Monteiro Filho, filho do fundador. (L.F./Agência Estado)





