A moderna Rota do Sol, asfaltada e com pista dupla, leva o turista ao paraíso. Ou quase lá. Num roteiro cujo mar está sempre por testemunha, a primeira praia do litoral sul do Rio Grande do Norte é Cotovelo, logo após a Barreira do Inferno. É tão próxima da capital (está a aproximadamente dez quilômetros de Ponta Negra) que se confunde com a própria orla marítima da cidade, embora pertença ao município de Parnamirim.
Cotovelo se destaca pela organização. Os veranistas e seus poucos moradores não abrem mão da limpeza na praia e não permitem barracas vendendo bebidas e tira-gosto na areia. É local de descanso, de contemplação, de um contato mais íntimo com a natureza.
Para quem prefere badalação, o endereço certo é Pirangi do Norte. Lá sim, o burburinho é quem manda. Pelo menos no verão, quando a praia se torna uma espécie de ‘‘capital da alta estação’’. Em Pirangi acontecem shows com atrações nacionais no Circo da Folia e competições esportivas variadas na areia.
Para os turistas, as duas grandes atrações (que, vale lembrar, são permanentes) ficam por conta do ‘‘maior cajueiro do mundo’’, cuja copa mede mais de 8 mil metros - segundo explicações técnicas do guia mirim Tom do Cajueiro -, e das piscinas naturais, os chamados ‘‘parrachos’’, que ficam a menos de um quilômetro da beira-mar. Há passeios de barco diariamente para lá, saindo do pier de Pirangi ou de Pirambúzios, entre as praias de Pirangi e de Búzios.
Na praia de Búzios, uma enseada convida o visitante para um banho de mar relaxante e sem perigos. Depois, a calmaria cede a vez a um mar revolto. A beleza permanece, no ir-e-vir incessante das ondas, mas é preciso cuidado na hora de mergulhar. Como Búzios é versátil por natureza, o mais indicado é usufruir de seu lado sereno, com águas tépidas e quase paradas, e meramente contemplar um mar igualmente límpido, mas ligeiramente traiçoeiro.
Depois de Búzios, outra pérola da natureza resguarda surpresas na rota do visitante. É a Barra de Tabatinga. O trecho inicial da praia é uma concentração de surfistas, que fazem malabarismos em suas ondas deslizantes. Dizem os experts no surfe que Barra de Tabatinga ostenta as ondas mais perfeitas do Brasil. Mas quem não quiser praticar esporte tão atraente e radical, a praia muda sua feição logo quando surgem os primeiros arrecifes. O que antes era um cenário ideal para a prática do surfe, vira uma piscina natural das mais atrativas para turistas de qualquer idade ou tendência.
Barreta e Malembá dão sequência ao litoral sul. A primeira exibe algumas curiosidades, como a Pedra Oca, formação rochosa que permite uma espécie de banho de cachoeira numa caverna improvisada pela própria natureza. Já Malembá é totalmente deserta, quase um convite à meditação. O final da praia, aliás, encontra-se com a Lagoa de Guaraíras. Atravessando-a, chega-se a Tibau do Sul. Depois, Pipa.
Conhecer Pipa, no entanto, requer alguns pré-requisitos. O ideal é pernoitar por lá (há inúmeras pousadas), já que a vida noturna local é uma mistura do inusitado com o improviso. É difícil imaginar, mas nos restaurantes, bares e bistrôs da Pipa há cozinha internacional de excelente qualidade, além do clima sempre propício a um bate-papo descontraído.
Se Pipa é feérica à noite, Barra do Cunhaú é um mar de tranquilidade, ideal para um dia descompromissado. Quem quiser chegar até lá a partir da Pipa, é só seguir via Cibaúma, atravessando um riacho numa balsa. Um dos melhores programas em Cunhaú é passear de barco, entre gamboas e braços de rio que vislumbram paisagens monumentais. E como o litoral sul reserva descobertas sutis, Baía Formosa e Sagi, na divisa com o estado da Paraíba, podem selar com êxito e requinte um programa, no mínimo, espetacular.

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