Imagem ilustrativa da imagem Espírito olímpico no esporte e na vida
| Foto: Fotos: Marcos Zanutto
Alunos da Escola Municipal Ignes Corso Andreazza participaram de esportes olímpicos e populares como o cabo de guerra ou bola queimada
Imagem ilustrativa da imagem Espírito olímpico no esporte e na vida
Além dos alunos aproveitarem o espírito olímpico, aprendem a lidar com sentimentos como vitória ou derrota, alegria ou frustração



O país tem vivido dias intensos com as Olimpíadas, afinal, o Brasil é o primeiro país na América do Sul, na história dos jogos, a sediar uma edição do evento. Há doze dias, portanto, desde a grandiosa cerimônia de abertura que conquistou até os mais descrentes, o mundo inteiro tem visto desde inúmeras competições de esportes populares - como futebol, basquete e vôlei - aos mais novos incorporados badminton, pentatlo moderno e adestramento. Cerca de 11 mil atletas do mundo todo estão competindo em 42 tipos de modalidades oficiais; uma gama para todos os tipos de torcedores. O fato é que a diversidade – não só de esportes, mas de nacionalidades – tomou conta do Rio de Janeiro, cidade anfitriã, e o povo está em festa, seja dentro ou fora dos locais de competição.
O ponto forte, sem dúvidas, é a realização dos jogos que, dentre suas premissas, tem ainda a ideia de preservar o espírito esportivo entre as nações. Ou seja, apesar dos atletas quererem a vitória e batalharem pela conquista da medalha de ouro, um dos legados dos jogos, que começou na Grécia Antiga, é a participação no evento seja qual for o resultado. Pensando nisso, a Secretaria Municipal de Educação, em seu encontro bimestral com os professores sobre o tema diversidade, elencou os Jogos Olímpicos para a discussão. Dessa forma, escolas municipais estão promovendo atividades ligadas aos jogos, abordando, assim, um assunto da atualidade, divulgando os esportes olímpicos e a diversidade cultural esportiva.

A diretora pedagógica do município, Mariângela Bianchini, conta que trata-se de uma proposta de trabalho baseado nos temas da atualidade, para que haja um significado maior para a criança. "É um momento propício para as escolas abordarem o tema, por conta das Olimpíadas que estão acontecendo no Brasil, seja por meio da realização de uma olimpíada mirim ou com base no conteúdo trabalhado, como produção de textos. O fato dos jogos estarem acontecendo em nosso país chama muita atenção das crianças. Então, promover este tipo de atividade traz a oportunidade de desenvolvermos o gosto e o potencial nelas e, quem sabe, despertar um futuro atleta", ressaltou. As atividades incluem desde abordagens teóricas, trabalhadas em sala de aula, até o desenvolvimento de modalidades olímpicas durante a disciplina de Educação Física.

Partindo da recomendação, a equipe pedagógica da Escola Municipal Ignez Corso Andreazza (região Norte) desenvolveu uma ampla grade de atividades com o tema adaptado à realidade das crianças. De acordo com a auxiliar de supervisão da escola, Silvana de Almeida, o tema foi abordado inicialmente em sala de aula pelos professores em todas as disciplinas, de forma que as crianças começassem a compreender o universo das Olimpíadas. "No total, são treze turmas em cada período, do primeiro a quinto ano, em que cada sala representa um país participante. Em cada uma, portanto, foram trabalhadas questões da cultura desse povo, como costumes, história, religião predominante, comidas típicas, língua oficial, esportes mais praticados, dentre outros aspectos", pontua.

IMERSÃO CULTURAL
Munidos de informações e várias curiosidades que foram surgindo, as crianças foram entrando no clima e incorporando a cultura de cada país. O mesmo aconteceu com os professores, que tiveram de realizar ampla pesquisa para montarem as aulas. "Na disciplina de Português, por exemplo, os exercícios e produções de texto tiveram as Olimpíadas como base. Na Matemática, o mesmo aconteceu, sempre tendo o tema como situação-problema." Porém, foi na disciplina de Educação Física que o tema, realmente, foi colocado em prática. Tudo começou por uma cerimônia de abertura em que tentaram reproduzir, com um desfile das delegações, o clima do espírito olímpico vivido pelos atletas. "Foi importante que eles sentissem um pouco de como é a atmosfera da abertura, que abrange vários rituais e símbolos, principalmente a tocha olímpica."
Depois da cerimônia, que contou, inclusive com a participação do atleta Cleverson da Silva, da equipe do atletismo, foi dada a largada para as competições. Durante toda a semana, as crianças participaram de jogos, olímpicos e populares, sempre em clima de competição. Dentre eles, corrida de revezamento e com obstáculos, arremesso, cabo de guerra e bola queimada. "Nosso objetivo, acima de tudo, é que eles pudessem vivenciar essa experiência da competição lidando com itens rigorosos de pontuação e classificação. Antes, porém, aprenderam a lidar com os sentimentos que as competições despertam, como frustração e alegria, perda e vitória, respeito e preconceito, importância do trabalho em equipe, que podem ser estendidos para todos os âmbitos da vida", explica a professora de Educação Física Mayara Camargo.
Nesse ambiente, até mesmo os alunos com alguma deficiência participaram. "Fizemos uma prova paralímpica, pois temos uma aluna com deficiência visual. Colocamos uma venda em outros alunos para que todos competissem por igual. Outra aluna com Síndrome de Down também participou da competição", destacou a supervisora. As atividades da escola encerraram-se na última sexta-feira, dia 12, com a participação dos pais e familiares, que doaram sangue para o Hemocentro de Londrina. "Esta foi a forma que encontramos de abordar o legado social", acrescenta a supervisora. As equipes com maior número de doadores receberam pontuação. Essa semana, após todas as competições, serão realizadas as premiações com entrega das medalhas.

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