A história por trás de "Alto Astral", por si só, já renderia uma novela. Prevista para estrear em 2010, a trama perdeu sua idealizadora, Andréa Maltarolli, com apenas a sinopse e seis capítulos escritos. Abalado com o falecimento de sua pupila, o supervisor do texto, Silvio de Abreu, acabou engavetando o projeto. No entanto, por sempre lembrar de Maltarolli e da empolgação com que criaram os primeiros capítulos da trama, retomar a sinopse e escrever a partir do original era uma questão de tempo. "O material bruto era muito especial. Falar de amor e de fantasmas não é uma novidade na teledramaturgia. Mas o tom mais naturalista do texto, sem defender dogmas, era o mais interessante. Uma hora ou outra, eu sabia que essa novela seria exibida", conta Silvio.
A partir de segunda-feira, o trabalho, enfim, ganha vida. Com supervisão do próprio Silvio, que deu a autoria da novela para Daniel Ortiz. "'Alto Astral' não tem firulas. É uma novela calçada no melodrama tradicional, mas com um toque de fantasia que eu acho que tem muito a ver com o horário das sete", analisa o estreante no posto de autor principal.
Para a direção, Silvio nem precisou pensar muito e escolheu logo Jorge Fernando, seu parceiro de longa data em sucessos como "Cambalacho" e "Rainha da Sucata".
Criando a partir do tom de fábula do texto, Jorge acabou se reinventando na direção. Para isso, foi atrás de novas texturas de imagem, luz e efeitos visuais. Tudo para que a novela respeitasse a realidade, mesmo abusando de seu flerte com a comédia e com o universo sobrenatural. "Acho que esse trabalho marca uma volta minha ao básico. Tem o ritmo frenético que eu gosto e utilizo nas minhas novelas, tem o humor, que já é uma assinatura na minha direção, mas meu foco dessa vez são os atores. Queria despi-los de qualquer vicio de atuação, para que tudo ficasse belo e simples", entrega o diretor.
Envolvido no processo de idealização da trama desde o final do fraco "Divertics", Jorge se juntou a Silvio em uma série de testes para descobrir novos talentos. Para o trio principal, Thiago Lacerda e Nathalia Dill foram as primeiras escolhas para o vilão e a mocinha do folhetim. Já para o herói, o nome de Sérgio Guizé surgiu a partir do bom desempenho dele como o João Gibão do remake de "Saramandaia", de 2013. "Fiquei surpreso com o convite. Todo ator quer o reconhecimento do público, mas confesso que virar mocinho não passava pela minha cabeça. Estou gostando muito da experiência", conta Guizé.
Na trama, Guizé é Caíque, um sujeito sensível que tem o dom de se comunicar com os espíritos. Sem qualquer motivo aparente, desde a infância, ele faz inúmeros desenhos com o rosto da mesma mulher. Muitos anos se passam e os espíritos que acompanham Caíque acabam o colocando diante da mulher retratada nos desenhos, Laura, de Nathalia Dill.
Mas, como amor de novela nunca se desenvolve de maneira fácil, tudo seria perfeito para o casal se Laura não estivesse de casamento marcado com o inescrupuloso Marcos, de Thiago Lacerda, o invejoso irmão adotivo do mocinho. "Não existe triângulo amoroso. A Laura gosta mesmo é do Caíque. Mas fica dividida ao ter de fazer Marcos sofrer. A história desses dois irmãos é carregada de rivalidade", conta Nathalia, que volta a uma novela de temática sobrenatural depois de protagonizar "Escrito nas Estrelas", de 2010.

CENOGRAFIA E CARACTERIZAÇÃO
Ambientada na fictícia cidade de Nova Alvorada, a equipe de cenografia de "Alto Astral" trabalhou inspirada na pequena Poços de Caldas, cidade do interior de Minas Gerais. Até a cidade cenográfica ficar pronta, inclusive, vários pontos da região mineira serviram como locação: o tradicional cassino, as thermas, praças e suas paisagens naturais.
"A gente privilegiou a boa convivência entre o moderno e o tradicional. Tudo com um certo ar de romance, que combina com a história", conta Eliane Heringer que, ao lado de José Claudio Ferreira, assina a cenografia da novela.
Pelo mesmo caminho da suavidade, seguiram as equipes de caracterização e figurino. "Nosso maior trabalho foi justamente produzir os atores de forma que pareçam não estar produzidos, ou seja, o mais natural possível. 'Alto Astral' busca o básico", destaca Sérgio Azevedo, chefe da equipe de caracterização.

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