Uma série de mapas com a localização das primeiras moradias de imigrantes japoneses no Norte do Paraná foi reunida na exposição ''Atlas da Colônia Internacional'', que será inaugurada hoje no Museu Histórico de Londrina. A abertura será às 20 horas na Galeria de Mostra Temporária, com curadoria do Professor Doutor Humberto Yamaki, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UEL.
A exposição traz mapas ilustrativos da década de 30, além de painéis com sobreposições de mapas antigos com fotos aéreas recentes. ''O objetivo é resgatar o material de memória geográfica dos anos de desbravamento de Londrina e, sobretudo, prestar uma homenagem aos pioneiros que souberem dar significado ao chão da terra vermelha'', diz ele.
O visitante poderá, por exemplo, visualizar as colônias e confrontar com o que existe hoje no local. Humberto salienta que ''as colônias estão fortemente gravadas na memória dos pioneiros e dos que ali viveram parte de suas vidas''. Apesar disso - continua - ''são poucos os que hoje se lembram de sua localização e limites com precisão. Na maioria das vezes, a resposta deverá ser vaga, do tipo: 'por ali, naquela região, perto daquele córrego''.
A primeira colônia, chamada Seção Número Um'' (ou Daí-Ikku Shokuminchi), foi instalada em 1931 numa áreas onde hoje se encontram o Aeroporto, o Parque Arthur Thomas, a Avenida Dez de Dezembro, a Acel e a Praça Nishinomiya. Ao todo, foram fundadas cerca de 50 colônias entre Londrina e Maringá nas décadas de 30 e 40. Os lotes eram demarcados no meio da mata pela Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP).
Toda a área de sua abrangência foi chamada de ''Colônia Internacional'' ou ''Kokusai Shokuminchi''. A denominação foi sugerida por Hikoma Udihara, agenciador da Companhia no início da colonização. Os japoneses foram os primeiros compradores de lotes rurais. Eles vinham do Oeste do Estado de São Paulo atraídos pela propaganda dos investidores ingleses.
A exposição inclui um mapa confecionado pelo próprio Udihara em língua japonesa no qual a última estação de trem da ferrovia São Paulo-Paraná trazia o sugestivo nome de ''Yamato'' (''grande harmonia'' ou também nome genérico dado ao povo japonês). Também como estratégia de atração, a área a leste do núcleo urbano foi denominada ''Nipônica''.
Era grande a variedade de nomes das colônias: Central, Abóbora, Taquara, Alegre, Shin-ai (Fé e Amor), Kou-un (Boa Sorte), Hinode (Sol Nascente), Fuji etc. Segundo Yamaki, ''eles resultavam da adoção de nomes de ribeirões e lugares e, mais ainda, de palavras que refletissem as esperanças e lembranças''.
A organização em colônias (ou shokuminchi) era uma tradição entre os imigrantes. Visava a cooperação mútua entre os membros da comunidade e a educação dos filhos. Ao se juntarem, eles definiram uma densa paisagem cultural marcada pelo sistema de ocupação do lote e edificações com traços nipônicos.
A presença da arquitetura de mestres carpinteiros japoneses já se vislumbrava ali com seus complexos telhados e intrincados ornamentos. Entre as construções, destacavam-se os ''kaikans'', sedes de associações erguidas em mutirão, que o curador chama de ''castelos de madeira''. ''Eram grandes prédios que funcionavam como cartões-postais. As pessoas tiravam fotos com os kaikans ao fundo'', assinala.
Uma colônia era formada basicamente por algumas dezenas de lotes rurais interligados por uma estrada e tendo o 'kaikan' no seu centro geográfico. A exposição traz ainda um painel interativo com o mapeamento das colônias instaladas entre Londrina e Maringá. Nele, os visitantes poderão demarcar o local onde moraram. A exposição contou com o patrocínio da Sercomtel e da Integrada/Cooperativa Agroindustrial. Vai ficar em cartaz até o final de julho.
SERVIÇO
- Atlas da Colônia Internacional
Quando - De hoje, às 20 horas, ao final de julho, com visitações de segunda a sexta-feira, das 9h às 11h30 e das 14h às 17h30; e aos sábados e domingos, das 9h às 11h30 e das 13h30 às 17h.
Onde - Museu Histórico de Londrina (R. Benjamin Constant, 900)
Quanto - gratuito
Mais informações - Tel. (43) 3323-0082

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