Rio, 09 (AE) - O pianista e compositor francês Michel Legrand ficou feliz assim que chegou ao Brasil e aterrissou no Aeroporto Tom Jobim, no Rio, no início da semana passada. "Éramos muito amigos", explicou. "Lá na França, nosso aeroporto chama-se Charles De Gaulle, que diferença!"
Essa alegria se estendeu pelos oito shows que ele fez, de quarta a sábado, no Mistura Fina. Amanhã, Legrand toca com Ivan Lins, a quem considera o maior compositor brasileiro, ao lado de Jobim, no Clube Paulistano (com ingressos já esgotados) e, quarta-feira, repete a dose no Bourbon Street.
Legrand perdeu a conta de quantas vezes veio ao Brasil e pretende voltar muitas mais. Nos shows do Rio, ele não se cansou de elogiar os músicos brasileiros (especialmente o baixista Nico Assumpção e o baterista Kiko Freitas, que o acompanharam no Mistura) e ainda sobrou para a cantora Lenny Andrade, que estava entre o público, na estréia e deu uma canja. "Na verdade, um primeiro ensaio da apresentação que vamos fazer em Fortaleza, na sexta-feira, 13", disse ela. "Ele é um francês que me arrepia."
Clima - Cada show de Legrand é diferente do outro porque ele gosta de sentir o clima do público para escolher o repertório. Mas nunca faltam seus maiores sucessos, especialmente os do cinema, da trilha sonora de "Os Guarda-Chuvas do Amor" (que lhe deu a Palma de Ouro em Cannes, em 1964) às de Crown, "O Magnífico", "Verão de 42" - que no Brasil ganhou o título de "Houve uma Vez um Verão" -, "Duas Garotas Românticas", "O Mensageiro".
Afinal, são essas que o público pede e ele atende, criando arranjos diferenciados a cada vez. Mas não faltam também inéditas, como a que ele fez em homenagem a Edith Piaf, e os números de puro jazz, com espaço para solos de seus acompanhantes.
Esses músicos podem ser os mais variados possíveis. Suas parcerias são bem ecléticas. São discos com a cantora americana Barbra Streisand, o trompetista cubano Arturo Sandoval, com o trompetista norte-americano Miles Davis, as cantoras líricas Kiri Te Kanawa e Jessye Norman (seu próximo projeto) e o violinista Stéphane Grappelli. E além de gravar suas músicas, registrou o repertório de compositores franceses como Eric Satie
Gabriel Fauré e Maurice Duruflé.
àpera - Aos 67 anos, Michel Legrand é um bon vivant confesso. A música é seu maior prazer, mas ele gosta também de pilotar seu avião, jogar tênis e xadrez e, mais que tudo, passar longas horas conversando com os amigos.
E os planos para o futuro são ambiciosos. Ele já tem agendada a composição de uma ópera com libreto de Jean-Claude Carrire, roteirista habitual de Buñuel e de Peter Brook. E ainda tem planos de levar adiante o Festival de Jazz de Cannes, que criou em 1994, e tocar muito, "para quem quiser ouvir".

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