O primeiro fim de semana do Festival de Dança de Londrina 2026 traz o tema da memória e a importância de sua preservação como mote de duas montagens para diferentes públicos.

No sábado (24), às 18 horas, o grupo Ateliê do Gesto (Goiânia-GO) apresenta no Teatro Ouro Verde o espetáculo “Fica comigo”, voltado para as infâncias e para viajantes de lembranças de todas as idades.

Já no domingo de eleições (25), às 20h30, é a vez da atriz londrinense Edna Aguiar ocupar o palco da Usina Cultural com o solo “Brasiliana”, com autoclassificação indicativa de 18 anos.

Quantas das memórias que guardamos nas “caixinhas” da nossa caixola são reais e quantas são inventadas? Existe uma só narrativa possível para um acontecimento? Estas são perguntas que atravessam “Fica comigo”. Ele encena a estória de um antigo Guardador de Memórias que passou a vida inteira encaixotando suas recordações nos porões de sua imaginação. A metáfora das caixinhas da memória se materializa no cenário com 150 caixas de papelão, em uma estrutura de palco italiano, que rompe, porém, com as vestimentas de rotunda e coxias. Por meio das experiências vividas e revividas pelos personagens, cria-se uma atmosfera de encantamento e lições de amizade, amor e respeito.

“Nossa expectativa é muito grande. Estamos muito felizes com a oportunidade de participar de um festival tão importante para a dança brasileira e de compartilhar nosso trabalho com o público paranaense. O ‘Fica comigo’ é um espetáculo muito especial, que nasceu do desejo de investigar o encontro, o afeto e as possibilidades de criação de mundos por meio do movimento e da imaginação”, revela João Paulo Gross, diretor artístico do trabalho junto com Daniel Calvet, também coreógrafo da companhia.

Esta é a segunda vez do Ateliê do Gesto em Londrina e a primeira com o espetáculo. Segundo Gross, “Fica comigo” foi pensado para as infâncias e para todos que carregam uma criança dentro de si e estejam abertos a repensar as relações humanas. “Além de toda a visualidade do espetáculo, ele tem uma paisagem sonora em cima de valsas antigas brasileiras, que traz um pouco essa nostalgia, esse lugar da memória também para os idosos. Então é um espetáculo para todos”, revela.

SOLO PARA O BRASIl PROFUNDO

No domingo, o Festival recebe “Brasiliana”, atuação solo de Edna Aguiar e fruto de suas escrevivências. A montagem, que estreou em agosto deste ano, parte do entendimento de que um país como o Brasil, cujo presente é o resultado de inúmeros genocídios, pode se personificar em um corpo feminino.

“Brasiliana surgiu de uma necessidade minha de falar de coisas muito importantes das mulheres do norte do Paraná e do apagamento que essas mulheres têm no nosso estado”, revela Edna. “Por mais que a obra trabalhe temas pesados, que não nos são cotidianos e que nos levam a refletir de forma mais profunda, a dança tem essa capacidade de nos suspender, de nos levar para esse lugar inefável. Isso faz com que a gente olhe para o mundo com outros olhos. E, nesse momento, é importantíssimo olhar para o mundo com esse olhar de poesia”, conclui a artista.

No chão-palco em que a peça se desenrola, Edna dá vida às diferentes histórias de uma família cujas narrativas são atravessadas por uma mesma marca: a experiência da perda do território, dilacerado pela passagem de uma estrada violenta chamada progresso. Enquanto essas vidas se cruzam, o palco se transforma nos diferentes lugares de suas memórias: uma mesa de prefeitura, um cartório, uma árvore, uma casa, um buraco. Brasiliana é um convite para imaginar de quantos encantados se faz uma pessoa viva.

* Com assessoria.

SERVIÇO:

Fica comigo - Ateliê do Gesto

Onde: teatro Ouro Verde (R. Maranhão, 85)

Quando: sábado (24), às18h

Autoclassificação indicativa Livre

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Brasiliana, com Edna Aguiar

Onde: usina Cultural ( Av. Duque de Caxias, 4159, centro, Londrina)

Quando: domingo (25), às 20h30

Autoclassificação indicativa de 18 anos.

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Ingressos: R$30 e R$15 (meia-entrada) na plataforma digital Sympla

Informações: festivaldedancadelondrina.art.br

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