Espetáculo mostra a influência do vandeville iídiche nos musicais americanos
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Beth Néspoli 
São Paulo, 30 (AE) - Qual a relação entre um gênero musical nascido em comunidades judaicas do leste europeu no século 19 - o vaudeville iídiche - com os musicais da Broadway e do cinema americano? A influência das judaicas bandas klezmer sobre os musicais americanos é uma história que o público poderá conhecer no show "The Best of Yiddish Vaudeville", assim como o tenor Maruo Wrona e a Banda Klezmer Brasil, dirigido por Iacov Hillel, que estréia amanhã (01) no Teatro Anne Frank, na A Hebraica, em São Paulo.
As chamadas bandas klezmer tocavam em festas populares judaicas na Europa Oriental e tinham como característica básica o uso da clarineta e do violoncelo. Combinando influências ciganas e do folclore de países como Romênia, Bulgária e Polônia
acabaram criando um gênero musical próprio, marcado pelo humor cáustico típico dos judeus. Com a imigração judaica para os Estados Unidos, no começo do século, incorporaram a influência do jazz, influência em mão dupla, uma vez que o jazz também sofreu a influência klezmer, via músicos de origem judaica, como George Gershwin, entre outros. No show "The Best of Yiddish Vaudeville" o público conhecerá 18 canções do repertório klezmer.
No palco, o tenor paulista Mauro Wrona, que está de volta ao Brasil depois de uma carreira de 20 anos na Europa, não só interpreta as canções como explica, em português, o texto de cada canção, algumas marcadas pelo típico humor judaico, outras de grande lirismo. As canções estão distribuídas em quatro blocos. Segundo Hillel, o primeiro bloco é uma espécie de painel que ajuda a conhecer o que é o vaudeville iídiche. Mas ele garante que toda a carga ancestral presente na sonoridade do repertório klezmer soará muito familiar aos ouvidos do público.
"Já ouvi isso - essa é a sensação imediata da gente ao ouvir as canções klezmer", comenta Iacov. O segundo bloco concentra canções românticas, de um lirismo rasgado. O humor marca as canções do terceiro bloco, que resgata nomes como do ator Aaron Lebedev. Um número de sapateado, coreografado por Kika Sampaio, fecha o show, que na parte final mostra claramente a influência do repertório klezmer nos musicais americanos. "As canções finais poderiam estar reunidas sob uma espécie de título assim: tudo aquilo deu nisso", brinca Hillel.
Alexandre Travassos, responsável pela direção musical do espetáculo, é o líder da Banda Klezmer Brasil, que em outubro deve lançar seu primeiro CD no País. A banda é integrada ainda pelos músicos Daniel Stein (violino), Neimar Dias (contrabaixo), Ricardo Marini (percurssão), Tania Frankiel Travassos (piano), João Paulo Moreira (trombone) e Luciano José de Melo (trompete).


