Espetáculo homenageia canto livre de Nara Leão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Mauro Dias 
São Paulo, 23 (AE) - Nara Leão morreu há dez anos. Foi uma das personalidades mais importantes de toda a música brasileira. Esteve na vanguarda de cada movimento significativo, entre os anos 50 e os 80. A bossa nova nasceu em sua casa, em Copacabana, mas quando fez seu primeiro disco-solo, em 1964, Nara preferiu gravar o samba de morro de Cartola e Élton Medeiros ("O Sol Nascerá") ou Zé Kéti ("Diz Que Fui por aí").
Ouve-se sua voz no disco-manifesto da "Tropicália", cantando "Lindonéia" - pediu a Caetano que compusesse o bolero inspirado no quadro homônimo de Rubens Gershmann. Lançou ou gravou pioneiramente (ratificando-lhes a importância) Chico Buarque, Sidney Miller, Edu Lobo, Carlos Lyra, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Fagner, João do Vale, Kleiton Ramil, João Donato, Dominguinhos - um leque amplo de estilos. Dedicou um disco à obra de Roberto e Erasmo Carlos, quando era feio gostar de Roberto Carlos.
Cantou modinhas fora de moda, e as pôs de novo na moda, chorinhos, sambas, valsas, boleros - Nara Leão comandou a festa enquanto viveu. Todos os compositores e intérpretes de hoje devem a Nara por sua ousadia e incentivo, saibam disso ou não. O diretor Túlio Feliciliano reuniu um elenco eclético para homenagear a cantora. O espetáculo "O Canto Livre de Nara" é a atração do fim de semana no Sesc Pompéia.
Amanhã (24) se apresentam Erasmo Carlos, Elton Medeiros, João Donato e Mariana de Moraes; sábado sobem ao palco Kleiton & Kledir, Edu Lobo, Carlos Lyra e Mariana de Moraes, que também participa do show de domingo ao lado de Dominguinhos, Zé Renato e Fernanda Abreu. Cada um deles teve alguma ligação com Nara Leão. Foi revelado ou gravado por ela, gravou com ela ou aprendeu a olhar a pluralidade da melhor música brasileira pelo ousados e desbravadores olhos dela.
Deve a Nara a Orquestra Popular de Câmara, que faz apresentação nesta sexta-feira, com entrada franca, na Saraiva Music Hall. Uma das músicas da orquestra, escrita por Benjamin Taubkin, chama-se "Suíte pra Pular da Cama e Ver o Brasil". A voz da OPC é a de Mônica Salmaso, vencedora da edição vocal do Prêmio Visa de MPB. Mônica vai mostrar músicas do repertório do disco que acaba de gravar e cuja produção (pela gravadora Eldorado) é parte de seu prêmio.
Deve a Nara a cantora mineira Daisy Cordeiro, que está lançando seu primeiro disco, "Paladar" (selo Dabliú), em que canta Aldir Blanc e Moacyr Luz, Djavan e Toninho Horta, Chico Buarque e Milton Nascimento, Celso Viáfora e Sérgio Santos. Daisy apresenta-se sexta e sábado no Supremo Musical.
Também Ná Ozzetti faz show de lançamento de novo CD. "Estopim" (Ná Records) é um trabalho esmerado, forte, pleno de personalidae, que traz músicas da cantora e de Luiz Tatit, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, outras de Dante Ozetti, todas inéditas. Ná canta no Sesc Vila Mariana, sábado e domingo. E o guitarrista norte-americano Pat Metheny, apaixonado pela música brasileira, toca sexta e sábado, com seu trio, no Teatro Alfa. E se gosta de MPB, mesmo que não saiba, rende graças a Nara. O Canto Livre de Nara. Amanhã, show com Erasmo Carlos, Elton Medeiros, João Donato e Mariana de Moraes; sábado Kleiton & Kledir, Edu Lobo, Carlos Lyra e Mariana de Moras; domingo, Dominguinhos, Zé Renato, Fernanda Abreu e Mariana de Moraes. Roteiro e direção de Túlio Feliciano. Sexta e sábado, às 21 horas; domingo, às 18 horas. R$ 5,00 e R$ 10,00. Teatro do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700 Daisy Cordeiro. Sexta e sábado, às 22 horas. R$ 15,00. Supremo Musical. Rua Oscar Freire, 1.000, tel. 852-0950 Ná Ozzetti. Duração: 1h15. Sábado, às 21 horas; domingo, às 19 horas. R$ 5,00 e R$ 10,00. Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, tel. 5080-3147 Orquestra Popular de Câmara. Sexta-feira, às 14h30. Grátis. Saraiva Music Hall. Avenida Rebouças, 3.970, tel. 870-1770 Pat Metheny Trio. Sexta e sábado, às 21 horas. De R$ 60,00 a R$ 90,00. Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel. 0800-558191 ou 5693-4000


