São Paulo, 17 (AE) - Tudo indica que "Sublime" será o espetáculo certo para abrir o festival no belíssimo espaço do àpera do Arame, cuja arquitetura exuberante costuma sobrepor-se a peças mais intimistas.
Adaptação para a linguagem circense da peça "Como a Lua", de Vladimir Capella, para a trupe do Grande Circo Popular do Brasil, do ator Marcos Frota, "Sublime" quase não utiliza texto e, com 120 pessoas no palco, tem tudo para funcionar no difícil espaço do àpera. "O que pode ser dificuldade para peças teatrais, será um benefício para um espetáculo circense", diz Frota.
Entre outros efeitos, uma rede colocada por cima da platéia certamente manterá o público em suspense num número de trapézio, um dos pontos altos do espetáculo. No palco, além de uma orquestra completa estão 30 crianças de até 8 anos, alunos de balé e 30 bailarinos profissionais, todos integrantes do Balé do Teatro Guaíra. E ainda, vindos diretamente de Pernambuco, os 30 integrantes do Maracatu Piaba de Ouro, grupo tradicional de danças populares, liderado por Mestre Salustiano.
O texto original de "Como a Lua" conta a história do índio Payá que não sabia pescar ou caçar, só fazer rir. Ele tenta conquistar a índia Colom, mas ela o desafia a conseguir uma nova forma de fazê-la rir. Ele se embrenha pela floresta, lambuza-se com ervas e percebe que toda a natureza ri de sua figura. Mira-se num lago e vê refletido um rascunho de palhaço. Volta então para Colom, mas ela está casada. Sua tristeza é tamanha que os deuses lhe concedem dormir cem anos para esquecer a sua dor.
Tudo isso será narrado em off no àpera. O espetáculo começa justamente com Payá acordando de seu sono secular em pleno circo moderno. "O público verá no palco um espetáculo com malabarismos, trapézio, equilibristas, enfim, todo o universo do circo, com exceção dos animais adestrados", afirma Frota.
A lenda perpassa toda a apresentação, durante a qual Payá vai descobrir um novo mundo, ao qual se integrará após um ritual de batismo, realizado por Frota, mestre-de-cerimônia e trapezista. A concepção do espetáculo é de Vladimir Capella, especialmente convidado por Frota, que há 21 anos ganhou o Prêmio Molire no papel de Payá, na primeira montagem de Como a Lua.
"Sublime homenageia a figura do palhaço que foi, é e sempre será o personagem central da estética circense", afirma. "Além disso, o espetáculo vai mostrar as infinitas possibilidades da linguagem circense, uma vez que une desde bailarinos clássicos até a folia brasileiríssima do Mestre Salustiano". (B.N.)

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