Espetáculo de humor e violência
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de outubro de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Quando a comunidade cinematográfica pensa que Quentin Tarantino esgotou seu arsenal de ideias, ele volta ainda melhor. Foi assim com ''Jackie Brown'', ''Kill Bill'' e, agora, ''Bastardos Inglórios'', em cartaz a partir de hoje no País (veja programação de cinema na pág. 2). É o seu filme mais engraçado - e também o mais complexo no que se refere à realização, marcada por uma cuidadosa reconstituição de época.
Aqui, o diretor americano se atreve a reescrever a História, oferecendo uma versão completamente fantasiosa do fim da Segunda Guerra Mundial. Uma ousadia construída a partir da fórmula que o consagrou. Dos diálogos desconcertantes à violência gráfica, passando pela releitura pop de suas referências, o receituário tarantinesco está mais afiado do que nunca.
E por falar em referências, as da vez são ''Fugindo do Inferno'' (1963), ''Os Doze Condenados'' (1967) e ''Trem Blindado'' (1977). Filmes de guerra ''divertidos e gostosos de assistir'', segundo o diretor.
Duas tramas paralelas e convergentes conduzem ''Bastador Inglórios''. No interior da França, a jovem judia Shosanna (Mélaine Laurent) testemunha o assassinato do pais por nazistas e foge para Paris. Lá, ela assume uma nova identidade, como dona de um cinema, e planeja sua vingança contra os alemães. Em outro ponto da Europa, o tenente americano Aldo Raine (Brad Pitt) comanda um grupo de soldados judeus especializados em escalpelar e eliminar os inimigos. São os ''bastardos'' do título, um mais excêntrico do que o outro.
Como é de praxe na obra de Tarantino, não faltam personagens cativantes na tela. A começar pelo coronel da SS Hans Landa, que rendeu ao austríaco Christoph Waltz o prêmio de melhor ator no último festival de Cannes. Quem poderia imaginar que um nazista repugnante roubaria a cena de uma comédia?
Nesse sentido, o destaque do longa é a direção do elenco, composto basicamente de atores desconhecidos do grande público. A exceção fica por conta de Brad Pitt, claro, que serve como uma espécie de ''mestre de cerimônias'' da história. Mesmo assim, ele também brilha na pele do tenente durão e justo.
Desde já cotado ao Oscar pelos especialistas de Hollywood, ''Bastardos Inglórios'' também se tornou, rapidamente, o maior sucesso de bilheteria da carreira de Tarantino. Em sete semanas, acumulou US$ 116,8 milhões só no mercado dos Estados Unidos - US$ 9 milhões a mais do que a arrecadação total de ''Pulp Fiction''. Surpreso com esse reconhecimento da crítica e da audiência, o diretor cogita produzir uma sequência, para mostrar a trajetória dos personagens após a guerra.


