Curitiba A ária já foi tema de filme e apenas um trecho é capaz de despertar a memória até mesmo de ouvintes de outros gêneros, tamanho seu sucesso. ''O mio babbino caro'' integra a ópera ''Gianni Schicchi'', de Giacomo Puccini, cuja montagem o Centro Cultural Teatro Guaíra estréia hoje. A produção faz parte do processo de retomada do teatro nas montagens de ópera e já é o terceiro investimento no setor em menos de seis meses.
Com ''La Boheme'', que estreou em junho, ''La Serva Padrona'', no mês passado e a montagem atual, já foram investidos cerca de R$ 250 mil. A diferença da produção de ''Gianni Schicchi'' é que o espetáculo está sendo feito em parceria com a Associação de Coordenação e Desenvolvimento de Arte e Cultura (Acord), que está entrando com a verba, orçada em cerca de R$ 50 mil. Já o Guaíra dá apoio operacional e empresta a estrutura do espaço, além dos músicos da orquestra, regida por Alessandro Sangiorgi.
A ópera tem direção de Marcelo Marchioro, que trabalha com convidados ilustres, como a dupla de cantores/atores ''Los Bonecos'', formada por Anderson Carlos e Lucas Francisco. A cantora e atriz Katia Drummond, carioca que prepara seu retorno para Curitiba, também integra a equipe, respondendo pela direção de movimento da montagem. O cenário e figurino é do bailarino e artista plástico Ricardo Garanhani. Das três montagens de ópera, aliás, essa é a primeira que tem verba exclusiva para figurinos e cenários. As outras duas, tiveram as vestimentas customizadas.
''Gianni Schicchi'' é um ópera de apenas um ato, sobre o libreto de Giovacchino Forazano, baseado no ''Inferno'', de Dante. É a terceira parte do tríptico formado por outras duas óperas (''Il Tabarro'' e ''Suor Angelica''). A ópera conta a história de Buoso Donati, que acaba de morrer. Seus parentes amargam falsas lágrimas diante de seu leito de morte, mas na verdade aguardam apenas a leitura do testamento, pelo qual estão avidamente interessado. Quando percebem que o falecido não deixou os bens para os parentes e sim para os frades a família fica em alvoroço. Tanto que um deles tem a idéia de viver uma farsa, que inclui a ressurreição do morto, para refazer o testamento. Quem assume o papel do morto diante dos advogados é Gianni Schicchi, que tem semelhanças físicas com o morto e assim o papel do próprio diante dos advogados.
A montagem cantada em italiano vai ganhar legendas eletrônicas que facilitam o entendimento da história pelo público. Para esta ópera, foram convidados 15 cantores, entre eles Alexandre Trovon, que faz o papel de Schicchi e Denise Sartori, que faz um dos parentes do morto. A música é executada por todos os músicos da orquestra: cerca de 70.
Com o investimento nas óperas, o Guaíra pretende retomar as produções do gênero, que tiveram uma lcuna de quase uma década. para este ano, nenhuma outra montagem está previstas, mas a meta para o ano que vem é produzir pelo menos mais quatro óperas.
Serviço:
- Ópera ''Gianni Schicchi'', de Giacomo Puccini. Hoje e amanhã no Teatro Guaíra, às 20h30 , com a Orquestra Sinfônica do Paraná. Ingressos a R$ 30,00 (platéia e primeiro balcão) e R$ 16,00 (2º balcão).

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