ESPETÁCULO - O vôo alto de Isidoro Diniz
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de julho de 2004
Katia Michelle Pires<br>Equipe da Folha 
Curitiba O ator e produtor Isidoro Diniz utiliza uma metáfora interessante para explicar como iniciou sua carreira, há 25 anos: ''Eu saí da fazenda, direto para o palco'', brinca. Foi mais ou menos o que aconteceu em 1979, quando Diniz deixou Nova Fátima (31 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio), e adotou a capital paranaense para morar. De lá para cá ele assinou mais de 50 produções teatrais e atuou em dezenas de peças em Curitiba. ''Na verdade, eu nasci no lugar errado, era para eu ter nascido na América do Norte, na terra dos grandes produtores'', sonha Diniz. E é por sonhar alto que ele optou por marcar o seu aniversário de carreira em grande estilo. Estréia hoje a ópera ''A Solteirona e o Ladrão'', a sua primeira empreitada como diretor.
Dirigir uma ópera, depois de tanto tempo atuando nos bastidores das produções teatrais, não foi uma decisão tomada ao acaso. Diniz já havia comemorado 20 anos de atuação no circuito cultural com o lançamento do disco ''Dalvaneios'', uma homenagem à rainha do rádio Dalva de Oliveira (1917-1972). ''A minha formação também veio do rádio'', conta Diniz. A ópera, escolhida a quatro mãos, ao lado da cantora carioca Isabel Nogueira, também é uma homenagem aos anos dourados.
Composta por Gian Carlo Menotti em 1939, ''A Solteirona e o Ladrão'' marcou a história do gênero por ter sido a primeira ópera feita para o rádio. A montagem de Diniz considera essa peculiaridade. Ambientada num estúdio, os cenários e figurinos reproduzem a década de 40. A cômica história de um mendigo em busca de um prato de comida é contada por quatro cantores e um pianista, mediados por um apresentador interpretado por Áldice Lopes.
No elenco estão a soprano londrinense Débora de Oliveira; a soprano Isabel Batista; a mezzo-soprano Fátima Castilho e o baixo Pepes do Valle. As canções, interpretadas no idioma original, são executadas ao piano por Carlos Assis. A ópera é encenada em formato pocket, em apenas um ato de cerca de uma hora de duração.
Diniz revela que as dificuldades em montar a ópera são as inerentes a qualquer espetáculo. ''Na verdade, senti um pouco de insegurança já que é a minha primeira direção'', confessa. Em 25 anos de carreira, Diniz sempre foi uma espécie de mentor nos espetáculos que produziu. ''Eu escolhia tudo, desde a a pessoa que assinava a trilha sonora, até os atores'', comenta. Na direção de ''A Solteirona'', não foi diferente, já que ele também assina a produção do espetáculo.
Com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, a montagem custou cerca de R$ 60 mil, orçamento considerado modesto por Diniz. Para ele, a falta de investimento é o principal entrave para as montagens, cada vez mais raras, de óperas no Brasil.
Serviço:
- ''A Solteirona e o Ladrão'', ópera dirigida por Isidoro Diniz. De hoje até 29 de julho, de segunda a quinta-feira, às 20 horas, no Teatro Regina Vogue (Avenida Sete de Setembro, 2775), em Curitiba. Ingressos a R$ 10,00. Mais informações pelo telefone (41) 2101.8292.


