ESPETÁCULO - As desventuras de uma certa Serpina
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de agosto de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba Um senhor cria uma serviçal tão bem que ela não vê motivos para não se tornar patroa, elevando seu nível, inclusive, ao ''cargo'' de mulher do próprio patrão. A trama é contada há pelo menos dois séculos em todo mundo e faz parte do roteiro da ópera ''La Serva Padrona''. A ópera estréia hoje no Teatro Guaíra, em Curitiba, dentro do programa Teatro para o Povo. A apresentação é uma prévia para a temporada que acontece de 31 de agosto a 4 de setembro, também na Capital.
''La Serva Padrona'' é uma produção do Centro Cultural Teatro Guaíra dirigida pelo italiano Roberto Innocente que, recentemente, dirigiu a montagem da ópera ''La Bohème'' em Curitiba. Mas não se enganem os mais afoitos, não é exatamente uma retomada da produção de ópera no Estado. Enquanto La Bohème estreou depois de nove anos sem um espetáculo semelhante, La Serva Padrona é, digamos, um espetáculo de circunstâncias.
A ópera, assinada pelo italiano Giovanni Battista Pergolesi foi escrita inicialmente para ser apresentada entre os atos de uma ópera maior, ''séria''. Trata-se de uma história típica da Commedia dell'Arte contada em pouco menos de uma hora. Mas o roteiro fez tanto sucesso que acabou elevado ao título de peça única e desde o século 18, quando foi apresentada pela primeira vez, se tornou a obra mais conhecida de Pergolesi.
E por ser uma história curta foi escolhida também pelo Guaíra para ser encenada, aproveitando a passagem de Innocente pelo Brasil. ''O processo foi rápido, mas está sendo gratificante trabalhar com profissionais brasileiros'', conta. Os ensaios começaram há pouco menos de um mês. Tempo recorde, assim como o orçamento. A ópera consumiu recursos de R$ 40 mil. ''Quando se tem dinheiro é possível fazer muitas coisas, mas quando o orçamento baixo, é preciso ter muitas idéias e o teatro é feito de idéias'', considera Innocente.
A ópera envolve cerca de 50 profissionais, entre técnicos, músicos, cantores e atores. Também foi aberto um edital para selecionar estagiários para acompanhar todas as áreas. Dezoito estagiários fizeram parte do processo de montagem de ''La Serva Padrona''. A música é executada pela Orquestra Sinfônica do Paraná, regidos pelo maestro Alessandro Sangiorgi, que também toca cravo durante a encenação.
A ópera conta as desventuras da criada Serpina, educada desde a infância pelo patrão Uberto. Ao chegar à idade adulta, Serpina cai de amores pelo patrão e prepara uma série de armadilhas para conseguir casar com Uberto, com a cumplicidade do criado Vespone. O criado é interpretado por Mauro Zanatta, um expert em Commedia dell'Arte no Brasil e em Curitiba, onde montou sua escola. Zanatta está há apenas duas semanas ensaiando e essa será sua estréia em óperas. ''Depois dessa experiência comecei a gostar e a entender a ópera'', conta.
O papel de Zanatta ajuda o público a entender o roteiro, já que as músicas são cantadas no idioma original. O diretor também colocou em cena outros quatro personagens, que falam em português e dão ainda mais agilidade à trama.
SERVIÇO
- Ópera ''La Serva Padrona''. Estréia hoje, às 11 horas, no Teatro Guaíra, em Curitiba. Ingresso um quilo de alimento não perecível. Temporada: de 31 de agosto, às 19 horas, e de 1º a 3 de setembro, às 20h30 e, dia 4, às 18 horas. Ingressos a R$ 16,00.


