Claro, ‘‘Dança da Voz’’ tem, literalmente, o dedo do pai, Antonio Adolfo - no piano, nos arranjos e também no apontamento de compositores antigos que poderiam ser gravados. Porém, a palavra final ficou a cargo de Carol Saboya com direito, inclusive, a palpites na concepção sonora. O fato de ter uma boa formação musical - ela, inclusive, fez faculdade de música e é formada em canto lírico - proporcionou um entrosamento que transcendeu o lado familiar (no caso do pai) e de amizade (com Almir Chediak). ‘‘Posso falar com os músicos de igual para igual. Isso me ajuda a ter um parâmetro para cantar músicas em se sobressaia a minha voz’’- diz Carol.
Não é de hoje que Carol Saboya queria gravar um disco. A ansiedade natural precisou ser domada até que chegasse o momento certo. E até que chegasse esse tal momento certo, ela se pôs a pesquisar repertório do que viria a ser ‘‘Dança da Voz’’. Nesse meio tempo, algumas apresentações aqui, ali, acolá.
A grande chance aconteceu no show em que se comemorava os 50 anos do compositor, letrista e poeta Aldir Blanc, há quase dois anos. A repercussão foi a melhor possível. ‘‘Foi uma ótima maneira que tive para me mostrar à mídia. ’’- conta. As comemorações incluíram também a gravação de um disco e, entre outros intérpretes, lá estava Carol cantando ‘‘Carta de Pedra’’ (parceria de Aldir com Guinga).
E eis que chegou o momento de gravar o primeiro disco. Alguns bambas, como explica Carol, ficaram de fora do disco:, Edu Lobo, a quem chegou a pedir uma música inédita que não saiu; e Chico Buarque para citar dois. ‘‘É importante gravar compositores antigos por serem referências mesmo. Mas até que foi legal não colocar tanta gente conhecida para dar espaço para o pessoal novo’’- avisa.
Entre o pessoal novo, Carol pinçou, por exemplo, Bernardo Lobo e Daniel Gonzaga (‘‘Toada Dissonante’’) e chamou o segundo para cantarem juntos ‘‘Reza das Fortes’’ (de Daniel). E eis que ‘‘Dança da Voz’’, que traz samba, frevo, toadas e até a deslocada ‘‘Apres un rêve’’ (de Gabriel Fauré), chega a público.
É um disco acústico. Não há sequer uma guitarrinha ou um tecladinho disfarçado. ‘‘O disco tem sonoridade limpa. Não é um trabalho comercial, é um trabalho feito em cima de melodias e harmonias ricas’’- define. ‘‘Não tenho ambição de vender 500 milhões de disco. Eu quero é que as pessoas gostem do que eu faço porque o disco é a minha cara’’- arremata. (A.M.J.)

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