Duas estréias hoje no FILO em que sonhar mais do que ser a respiração profunda do inconsciente é a lacuna onde vivem personagens fantásticos, que casam a total desesperança com a falta de limites para se desprenderem da realidade.
  Uma dessas medidas do sonho será dada nas duas apresentações no festival londrinense de ‘‘Sangue na Barbearia’’, às 20 horas, no Hotel Crystal, com os atores Antônio Petrin e Darson Ribeiro, que assina também a direção do espetáculo.
  Petrin tem mais de 35 anos de carreira e cerca de 45 peças encenadas, além de assinar a direção de 12 espetáculos teatrais e participações em novelas e 12
filmes.
  Na tragicomédia em dois atos, a canção original, especialmente interpretada por Ney Matogrosso, o cenário de Ulisses Cohn e a iluminação de Mirella Brandi, apressam os passos do público em direção ao surrealismo da adaptação de Darson, inspirada nos textos de dois dramaturgos argentinos contemporâneos, Griselda Gambaro e Carlos Gorostiza.
  Juntos, público e elenco – pela força do texto – se isolam com o personagem Tuco, um aspirante a ator, numa barbearia, que bem poderia ser também um camarim ou um hospício. Zé, o barbeiro já estava lá.
  Ao correr atrás dos próprios desejos em que estão mergulhados, os dois personagens escalam o abismo dos sonhos, levando a platéia nas costas, percebendo que essa busca pode ser inútil.
  A narrativa fantástica também está pendurada em ‘‘Sonho de um Homem Ridículo’’, com a companhia Ágora Teatro, de São Paulo, peça baseada na obra homônima do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881). A direção é de Roberto Lage.
  Ao interpretar um funcionário público, o ator Celso Frateschi, tira a mordaça do burocrata, que vive num quarto miserável e que sempre soube ser um homem ridículo, mas que, além disso se descobre medíocre por não conseguir se matar.
  No palco do FILO, as duas tramas trafegam pela mesma avenida, onde a realidade e o sonho cruzam o caminho a todo tempo.


Serviço

- Espetáculo ''Sangue na Barbearia''. Concepção e direção: Darson Ribeiro. Elenco: Antônio Petrin e Darson Ribeiro. Cenografia: Ulisses Cohn. Iluminação: Mirella Brandi. Movimentação cênica: Sandro Borelli. Fotografia: Gal Óppido. Trilha: Dráuzio. Canção Original: Ney Matogrosso. Duração: 70 minutos.

- Espetáculo ''Sonho de um Homem Ridículo''. Texto baseado no conto homônimo de Fiódor Dostoiévski. Dramaturgia e interpretação: Celso Frateschi. Direção: Roberto Lage. Cenário e figurino: Sylvia Moreira. Luz: Wagner Freire. Trilha sonora: Aline Meyer. Duração: 70 minutos.

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