ESPECIAL - Ainda os Globos de Ouro
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Carlos Eduardo Lourenço Jorge 

Falar se prêmios como o Globo de Ouro são ou não são justos é sempre relativo. Nas nominações sempre concorrem candidaturas muito diferentes entre si, e qualquer diversidade terminará eclipsada na noite da gala. E com tantas categorias a desfilar, quase que o mais chamativo é não sair nominado... E tentar enquadrar os Globos como prêmios comerciais além de convencionais , seria uma insensatez.
As rotinas estão aí para serem desrotinizadas de vez em quando. Este ano os Globos vieram cheios delas, das novidades. A HBO suspirou de alívio ao conhecer as nominações, que ganhavam com folga da Netflix. Mas a história quem escreve são os vencedores, e esta edição foi inteiramente da Netflix. "La La Land", com estreia brasileira antecipada para hoje (inclusive em Londrina) realizou uma proeza, faturando uma coleção de prêmios com um gênero residual. Porque se "Cinema Paradiso" recuperou a magia de homenagear o próprio cinema com um filme "a partir de dentro", "La La Land" reinventou esta magia. É metacinema tanto para contemporâneos como para nostálgicos.

A capacidade que os Globos de Ouro tem de surpreender pode oscilar entre nominar um musical totalmente tolo e prescindível como "Into the Woods/Caminhos da Floresta" (2014) para preencher a cota da categoria (melhor musical) e incluir este ano uma comédia naive, quase simplória (ainda que engraçada) como "Dead Pool".
"The Crown" demonstrou que sim, vale a pena investir dez milhões de libras em cada um dos dez capítulos da série. Não houve para ninguém, não se viu qualquer androide ameaçando a monarquia, nem tramas complexas ou épicas batalhas: o charme que se viu premiado é britânico e se chama "The Crown". Mas acima de tudo, os Globos trataram mesmo foi de premiar a si mesmos. A eles, sim, com um par de novidades que permitem esquecer que são um evento já um tanto vulgarizado. E aos britânicos, os únicos estrangeiros que parecem admirar em Hollywood. Bem, não esquecendo Isabelle Huppert, que premiaram também além de seu notável trabalho como desculpa pela exclusão de "Elle" na corrida ao Oscar. Porque, embora os votantes sejam chamados de Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, se há alguma coisa que de fato não fazem é reconhecer o talento estrangeiro.
Recomenda-se aos desesperançados, impacientes e demais inconformados com os maus tratos do exibidor londrinense, que mata à mingua a cinefilia que não vê na tela grande os premiados (e nominados) de Globos, Oscar, Cannes, Veneza , Berlim , uma visita ao camelódromo: estão alí, a preço bem abaixo de banana, títulos importantes e ótimos. Na quarta, por exemplo, estava disponível "Toni Erdmann", a sensação alemã que pode levar o Oscar de melhor filme estrangeiro.


