Espanhóis levam à rua um teatro de imagens
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terça-feira, 29 de maio de 2001
Katia Michelle De Londrina 
Quando a palavra é substituída pela imagem a capacidade de conjeturar aumenta. E é essa a proposta do grupo espanhol Teatro de Lull. Eles trazem ao Festival Internacional de Londrina (Filo) dois espetáculos antagônicos - que serão apresentados no Calçadão - mas com a proposta comum de utilizar elementos cênicos capazes de suprir o texto verbal. Foc i Canya, que tem única apresentação hoje, se ampara em personagens típicos da comédia dellarte para contar as peripécias de um trupe em viagem. Já La balada de les bSsties, com apresentação amanhã, é um espetáculo mais provocativo e aproveita a dialética inerente ao homem para conduzir um espetáculo intimista.
As duas peças são apresentadas na rua e utilizam recursos que se transformaram em marca do Teatro de Lull (Teatro do Olho), criado há sete anos. Trata-se do tripé formado pela pirotecnia, imagem e música. O produtor da companhia Ferrant Benavent revela que essa é a base dos dois espetáculos, embora utilizada em formato distinto para cada um deles. E se não há palavra no espetáculo, observa Benavent, o grupo abusa desses elementos para provocar a comunicação.
Essa é a primeira vez que o Teatro de Lull se apresenta no Brasil, mas Benavent adverte que o público do Filo vai poder conferir apenas uma parcela dos espetáculos. Isso porque os fogos utilizados por aqui são diferentes do território espanhol, conferindo um resultado distinto ao que grupo está acostumado. Mas temos que nos adaptar ao que é possível em cada país, conforta-se o produtor.
O grupo tem um repertório composto por seis espetáculos e já se apresentou em mais de uma dezena de países. Em cada região, comenta Benavent, a apresentação é única, pois depende da resposta do público. Foc i Canya, por exemplo, precisa da proximidade com a platéia para reproduzir a tradição carnavalesca. É um tipo de apresentação que fala diretamente ao público, observa o produtor. São dez atores que executam a sonoplatia ao vivo, calcada em muita percussão e ritmos corporais.
Além dos fogos, outro recurso que a companhia utiliza para conferir uma estética peculiar às suas montagens é a perna-de-pau. O produtor da companhia garante que não são efeitos puramente estéticos e ilustrativos e sim elementos que ressaltam o argumento dos espetáculos. As pernas-de-pau são como extensão dos atores, brinca.
Mas se Foc i Canya resgata as festas populares como fio condutor das montagens, La balada de les bésties busca a poética da violência para abordar uma questão que atravessa gerações: afinal quem são as bestas, os homens ou os animais? A dúvida está presente no espetáculo em forma de um jogo eletrônico no qual o público do Filo poderá apostar amanhã.
A disputa entre os humanos e representantes de uma espécie animal em extinção é o argumento central de La balada de les bSsties. As cenas foram coreografas pela bailarina Rosa Ribes e o espetáculo tem trilha original de Fernando Granell, que também dirige o espetáculo.
A peça estreou há dois anos e já provocou reações adversas em países que não está acostumados a manifestações teatrais na rua, como a Romênia. A pessoas se assustam. São personagens fortes que causam impacto na platéia, comenta Ferrant Benavent.


