Espalhando estilhaços eletrônicos
Espalhando estilhaços eletrônicos
As duplas inglesas
Chemical Brothers e
The Future Sound of
London lançam novos
álbuns e conquistam
seguidores de rock
pesado e progressivo
Nelson Sato
Tecno. Trip Hop. Drumnbass. Ambient. Trance. Jungle. Beat. Dub. Sample. Bleeps. Loopings. Groove.
Ao novo vocabulário da crítica pop, os novos álbuns dos grupos britânicos Chemical Brothers e The Future Sound of London fornecem um vasto campo para a criação de verbetes.
Expoentes da vanguarda eletrônica, os dois grupos parecem apontar para o futuro do rock cruzando elementos deste com os recursos tecnológicos da era digital. Embora se apossem de distintas referências em suas colagens sonoras, tanto um como outro já se apresentam simpáticos ao povo da guitarra-baixo-bateria.
Estourados no mundo todo, os Chemical Brothers prosseguem fundindo peso, distorção, canções pop e batidas dançantes. Se no trabalho de estréia convidaram Tim Burgess (vocalista da banda Charlatans) para fazer os vocais numa faixa, em Dig Your Own Hole (Virgin) contam com Noel Gallagher (do Oasis) e a banda americana Mercury Rev para fazer a média com os indies.
Arsenal A primeira faixa do disco é monstruosa. Block Rockin Beats combina uma levada atordoante de baixo, batida pesada, ruído com timbre de cuíca e uma voz que fica gritando o título da música. Settin Sun, aquela com o líder do Oasis, é recheada de efeitos eletrônicos e coberta por uma zoeira infernal típica de discos pesados de rap.
A faixa usa como base a canção Tomorrow Never knows, dos Beatles. É fraquinha, mas pela badalação em cima acabou emplacando no primeiro posto da parada britânica. A qualidade sobe mesmo nas três últimas faixas, quando curiosamente as BPMs (batidas por minuto) desaceleram até se extinguir.
Lost In The K-hole traz um groove maneiro, pianinho, vozes e uma linha impagável de baixo. Where do I Begin começa etérea com a voz nas alturas de Beth Orton (ex-Red Snapper, grupo de jazz eletrônico) e termina em zumbidos microfonados. The Private Psychedelic Reel mistura guitarras, cítara e clarinete executados pelo Mercury Rev com sacolejos que remetem às melhores composições de Shaun Ryder à frente dos Happy Mondays. Evaporando nas importadoras, Dig Your Own Hole está previsto para ser lançado no Brasil na próxima semana.
Audição Com menos apelos pop, o quarto álbum da também dupla The Future Sound of London é outro arsenal pesado lançado pela brigada tecno. Dead Cities (Virgin) abre com um rock industrial lotado de gritos e riffs funk.
Depois, vai apaziguando a agressividade com uma sucessão de faixas climáticas ancoradas na vertente ambient do som eletrônico e remissões ao rock progressivo do começo dos anos 70. Her Face Forms In Summertime é um mergulho em texturas articulando timbres de violão, contrabaixo acústico e camadas de ruídos e efeitos eletrônicos.
My Kingdon, o single anterior ao álbum, cria uma atmosfera épica reunindo samples de trilhas sonoras dos filmes Era Uma Vez na América e Blade Runner. Max mixa voz de criança, piano, flauta e arranjo orquestral. Quagmire é free-jazz com batida hip hop.
Glass superpõe efeitos, flautas, guitarras, violões e uma memorável levada de baixo na mais estupenda faixa do disco. Dead Cities não serve para chacoalhar esqueletos. E como no álbum dos Chemical Brothers, as faixas escapam do bumbo reto, principal responsável pela estigma bate-estacas atribuído ao tecno.





