ReproduçãoInterior da Catedral de Pisa, na Itália, construída em 1063: riqueza de detalhesNo passado longínquo os homens contentavam-se com uma simples e úmida caverna como abrigo. A partir do dia em que resolveram utilizar as próprias mãos para construir moradias e tempos, as formas cultivada na planície da mente transformaram matéria em estética.
A história da arquitetura guarda em seu interior um amplo leque de aspirações humanas. Cada cultura e civilização conferiu às formas arquitetônicos seus princípios essenciais. Nas palavras do arquiteto inglês Neil Stevenson, ‘‘o aspecto mais importante da aparência dos edifícios está no que vislumbramos a respeito das sociedades que os construíram. Sua tecnologia e sistemas de organização social, suas necessidades práticas e aspirações - tudo está registrado na estrutura de suas construções’’.
Stevenson é o autor de ‘‘Para Entender a Arquitetura’’ (Annotated Architecture) que a Editora Ática estará lançando durante a Bienal do Livro de São Paulo que acontece na próxima semana. A obra segue os mesmos padrões de ‘‘Para Entender a Arte’’ - livro de Robert Cumming publicado pela Ática em 1996 - que foi recebido de maneira calorosa por grande número de leitores.
Seguindo o requintado padrão gráfico e didático da editora inglesa Dorling Kindersley, Stevenson apresenta em ‘‘Para Entender a Arquitetura’’ 50 obras arquitetônicas, em ordem cronológica, de 1530 a.C. (o templo de Amon no Egito) à 1994 (o moderno Aeroporto Internacional de Kansai, no Japão, projetado por Renzo Piano).
Entre um grande número de belas obras que pontuam a história da arquitetura, Neil Stevenson fez sua escolha. Entre aquelas que compõem o livro, grande parte ou são verdadeiros patrimônios da humanidade erguidos por várias culturas, ou são grandes marcos das escolas arquitetônicas que revolucionaram a arte. A obra do brasileiro Oscar Niemeyer, por exemplo, não é mencionada.
Durante milênios religião e arquitetura andaram de mãos juntas. Entre os monumentos frutos desta união que integram o livro, destaca-se o Santuário de Ise (século 2, Japão), Santa Sofia (532, Turquia), Templo de Tikal (500, Guatemala), Templo Kandariya Mahadev (950, Índia), Catedral de Pisa (1063, Itália), Catedral de Durham (1093, Inglaterra), Angkor Vat (século 12, Camboja), Notre-Dame (1163, França), Catedral de Florença (1296, Itália), Templo do Céu (1420, China), Capela do King’s College (1446, Inglaterra), Basílica de São Pedro (1506, Itália), Catedral de São Basílio (1555, Rússia), Palácio Potala (1645, Tibete), Sagrada Família (1884, Espanha).

ReproduçãoTeatro lírico de Sidney, na Austrália: exemplo de arrojada arquitetura contemporâneaNo século 20 a arquitetura encontrou terreno fértil para múltiplas estéticas. Entre os obras anotadas por Stevenson vale citar algumas; a Casa Gamble projetada pelos irmãos Greene em 1908; a casa Robie de Fank L. Wright, 1808; a Casa Schröder de Gerrit Rietveld, 1923; a Villa Savoye de Le Corbusier, 1928; a Villa Mairea de Alvar Aalto, 1938; a Casa Farnsworth de Mies van der Rohe, 1945; o Estádio Olímpico de Tóquio projetado por Kenzo Tange em 1961; o Centro Pompidou de Renzo Piano e Richard Rogers, 1971; o Hong Kong and Shanghai Bank de Norman Foster, 1981; o Centro de pesquisas Schlumberger Cambridge de Michael Hopkins, 1985; a Arca de Ralth Erkine, 1992.
O arquiteto francês Le Corbusier (1887 - 1966) definiu a arquitetura como uma composição nos limites da metafísica. Ela seria algo como o ‘‘magistral, magnifico e correto jogo de volumes trazidos à luz’’. No terreno poético, algo como volumes de espaços materializados no tempo.

mockup