São Paulo, 06 (AE) - Comemoram-se amanhã (07) 6 anos da criação do Espaço Unibanco de Cinema. A comemoração pode ser do diretor-geral do espaço, o administrador e programador Adhemar Oliveira, mas a festa é do público. Durante todo o dia, nas três salas do conjunto principal e também nas do anexo, em São Paulo, serão exibidos, inteiramente de graça, os filmes em cartaz. São obras como "Alice e Martin", de André Techiné, e "Dois Córregos", de Carlos Reichenbach. Basta retirar os ingressos nas bilheterias que estarão abertas a partir das 14 horas.
"Foi uma aposta que deu certo". A idéia inicial de Oliveira, que ainda persiste, era criar um espaço alternativo, mas não marginal, onde pudessem ser exibidos filmes sem tela, aqueles que os conceitos dos exibidores tradicionais relegavam ao limbo. Quando o espaço surgiu, o principal cinema sem tela era o brasileiro. O Espaço Unibanco virou uma referência obrigatória quando se fala de cinema nacional em São Paulo.
O pico da frequência, informa Oliveira, foi em 1997, quando o espaço, em todas as salas, registrava a média de 50 mil espectadores mensais. Esse número caiu um pouco, mas ainda se mantém, com mais de 40 mil espectadores/mês, acima da média de frequência da maioria das salas da cidade. São mais de 4 milhões de espectadores ao longo desses seis anos. Há um público imenso (e fiel) para o tipo de programação de qualidade que Oliveira desenvolve à frente do espaço. Basta tentar ir ao Espaço Unibanco no fim de semana, por exemplo. Formam-se extensas filas
as salas estão sempre lotadas.
Oliveira poderia acomodar-se, na certeza de que dá ao público o que ele quer e administra um empreendimento vitorioso. Mas ele não pára. Está sempre procurando novidades para o perfil do espaço que dirige. Na próxima semana, a Sala 1 integra-se ao circuito exibidor da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Fiel ao conceito de abrigar os sem-tela, Oliveira criou o horário "Curta às Seis", que tanto sucesso faz nos fins de tarde, mostrando filmes curtos que contam praticamente só com essa chance (além dos festivais especializados) para chegar ao público.
Ele também desenvolve com a mulher, Patrícia Durães, o vitorioso programa "Cinema na Escola". Patrocina a revista "Cinema". E anuncia a novidade para o sétimo ano: vai criar um espaço literário, para eventos ligados a livros. Será uma ampliação da série "Cinema e Literatura", que vem ocorrendo mensalmente. Ele aproveita para dizer que está em marcha uma revolução silenciosa no Espaço Unibanco. O signo mais evidente da mudança está no hall, com a criação de uma nova cafeteria, equipada com mesinhas, à esquerda de quem entra, e a reforma da que já existia anteriormente, à direita. Isso é o que salta aos olhos, mas a recauchutagem é muito mais ampla. Oliveira trocou a tela das três salas principais (e agora vai trocar as do anexo), investiu em novos sistemas de som e trocou mais de 800 poltronas. Investiu no total R$ 800 mil. Parte desse dinheiro veio do BNDES. Por meio de que programa? "O meu; fui lá e mostrei que o espaço é necessário e viável; eles me deram o dinheiro", diz Oliveira.

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