Os clientes do restaurante e espaço cultural Beto Batata, em Curitiba, têm algo a mais para se deliciar, além das concorridas batatas suíças da casa: a exposição ‘‘Armazéns de Curitiba’’, com 28 fotos de Gilson Camargo, em tamanhos de 10x15 até 50x75, acondicionadas em molduras com vidro fosco e paspatu, cujo tema são os velhos armazéns da cidade. A mostra abriu discretamente, como queria o autor. Nas imagens misturam-se cenários carregados de ecos do passado, que aos poucos tentam dar a volta por cima, na era dos super e hipermercados.
‘‘Tenho buscado a documentação de uma coisa que está sendo substituída. Não sei se o armazém vai desaparecer; acredito que ele esteja se modificando’’, diz Camargo. Seja como for, as imagens captam um aparente sossego de quando as pessoas eram atendidas no balcão. A intimidade que havia entre o comerciante e o freguês, essa sim, inevitavelmente caminha para a extinção.
A idéia do tema partiu da jornalista Bia Moraes. Há dois anos ela convidou Gilson para desenvolverem juntos o projeto da edição de um livro com textos e imagens. A mostra que está no Beto Batata é um ensaio do que será publicado mais tarde. Além disso inaugura uma nova fase do Beto Batata naquilo que se refere ao democrático espaço para a fotografia.
No primeiro ano do restaurante – comemorado na segunda-feira, com nhoque da sorte e notas de um dólar colocadas sob o prato – passaram por ali 40 fotógrafos. Era chegar e expor. Agora a história será outra. Gilson Camargo e Maria Carolina Ravazzani de Almeida atuarão como curadores e farão a seleção dos profissionais interessados em mostrar seus trabalhos. Aliás, a próxima assinatura no restaurante será a de Mila Jung.
A partir de agora haverá um novo conceito em torno dos trabalhos no Beto Batata. Cada cartaz permanecerá durante um mês e haverá a publicação de um livro contendo dez postais das obras. O preço da publicação é simbólico: R$ 3,00. ‘‘Armazéns de Curitiba’’ está abrindo a série, com patrocínios dos cigarros Marlboro (que viabilizou o livro) e do laboratório Ibiza, responsável pelas cópias fotográficas.
As vendas dos livros – cada edição será composta de mil unidades – viabilizarão a produção seguinte, prevê Camargo. Ele argumenta que a proposta do restaurante tem por base a dignidade ao fotógrafo, pois não só oferece espaço para exposição, como valoriza os trabalhos com a coloção de molduras, a edição dos livros e ainda confecção de bolachas temáticas (o apoio para os copos de cerveja), que serão relacionadas às respectivas mostras. As imagens captadas pela lente de Gilson Camargo também estarão à venda: os preços variam de R$ 80,00 a R$ 400,00.
‘‘Armazéns de Curitiba’’, exposição fotográfica de Gilson Camargo sobre os velhos armazéns remanescentes de uma época. Restaurante Beto Batata, Rua Professor Brandão, 678, em Curitiba. Fone (41) 262-0840.

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