Além de lúdica, a brincadeira também pode ganhar dimensões de cidadania e esperança. Isso é o que vem acontecendo no setor de pediatria do Hospital Universitário (H.U.), que desde o dia 3 de agosto tem uma Brinquedoteca especialmente organizada para as crianças de 0 a 12 anos internadas na instituição, que também conta com a visita semanal dos integrantes do Plantão Sorriso.
Andando pelos corredores assépticos e sóbrios do hospital, o contraste de ver um ursinho de pelúcia ou um carrinho colorido em cima da cama das crianças, que assim podem se entreter com atividades mais próximas do seu universo infantil, em que injeções e remédios normalmente não fazem parte.
As crianças que não precisam ficar em repouso podem ficar das 8 ao meio-dia e das 13 às 17 horas na Brinquedoteca, onde também acontecem diversas oficinas artísticas - a mais recente foi a de cartões natalinos. As que ainda estão acamadas, recebem a visita diária de um carrinho ambulante decorado com motivos infantis, repleto dos mais variados brinquedos e livros, que passam por uma higienização específica.
A responsável por esse trabalho, a recreacionista Lucia Brunelli, 48 anos, há mais de 20 anos vem se dedicando à recreação das crianças hospitalizadas e fala com orgulho da conquista desse espaço físico feito especialmente para melhorar o bem-estar das crianças internadas.
''Atendemos cerca de 230 crianças e aqui elas estão livres de qualquer procedimento médico invasivo, como coleta de sangue, injeções. Neste espaço, elas estão livre da dor, do estresse do hospital. Os olhos delas voltam a brilhar e conquistam mais disposição para enfrentar os seus problemas físicos'', ressaltou Lucia, que ainda conta com o apoio de estagiárias do curso de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para a realização desse trabalho.
Um exemplo prático do benefício que o espaço pode proporcionar às crianças foi citado por Lucia, quando lembrou de uma menina, de 3 anos, que após ficar um longo período internada para tratamento de leucemia ficou com medo de andar, mas foi na Brinquedoteca, estimulada a pegar os brinquedos dispostos nas prateleiras, que superou mais esse desafio.
''A casa da tia Lucia'' é como Felipe Vertuan Pavani, 3 anos, se refere à brinquedoteca. Um dos frequentadores mais assíduos do espaço, é lá que ele aprendeu a montar quebra-cabeça, amenizando o incômodo de estar longe de casa para o tratamento de leucemia. ''Acho que não tem brinquedo da brinquedoteca que ele não conheça. Esse espaço ajuda muito e ele fica mais animado quando se diverte lá'', comentou a mãe de Felipe, a dona de casa Sônia Maria Vertuan, 36 anos.

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