Mario CesarCarlos Vinícius Sato: ‘‘A obra de arte tem que ser versátil, tem que fazer parte do dia-a-dia’’O artista plástico londrinense Carlos Vinícius Ferreira Sato agora vai ter seu nome em todas as boas casas de decorações e presentes, do Norte ao Sul do País. Tudo graças a uma idéia fixa que vem perseguindo o artista há alguns anos: luminárias. O que começou com experimentações artísticas se mostrou um promissor caminho para a arte. Suas luminárias em ferro, expostas na última Gift Fair, a mais importante feira de presentes do Brasil, que aconteceu mês passado, em São Paulo, geraram centenas de encomendas para a Scarazzato Molduras, que as estão comercializando com exclusividade.
Segundo o artista e agora designer, há anos ele vinha pesquisando formas e materiais para luminárias, mas tinha dificuldade de transpor suas idéias para o papel e levar ao serralheiro. ‘‘Isto continuou até que eu contratei dois serralheiros para trabalhar comigo, no meu ateliê. Assim ficou mais fácil porque eu estava ao lado deles, explicando como queria o metal’’ - conta. O acabamento era um problema até que o artista fez uma parceria com Eduardo Scarazzato, que passou a dar tratamento especial às peças. Suas luminárias foram saindo aos poucos, como obras exclusivas e preços de esculturas.
Arte versátil Como a empresa de Scarazzato participaria da Gift Fair, este ano, resolveram incluir quatro luminárias de Sato entre as molduras especiais que estariam expondo, num pequeno estande. ‘‘O sucesso foi imediato. Todo mundo perguntava sobre as luminárias. A gente não esperava tanto interesse’’ - conta Eduardo Scarazzato. As peças agradaram tanto que logo os organizadores pediram para incluir fotos das luminárias no catálogo oficial da Gift Fair, cuja próxima edição deve ser em agosto. O retorno também não demorou a aparecer: já foram feitos pedidos de todas as regiões do Brasil.
Para Sato, as luminárias são uma consequência do seu modo de criar arte. ‘‘Não vejo as coisas como se pudesse fazer uma separação entre objeto artístico ou decorativo. Eu acho que a arte pode ser utilitária. Por que uma escultura não pode ser uma luminária? A obra tem que ser versátil, tem que fazer parte do dia-a-dia’’ - afirma. Além disto, o artista diz que esta também é uma boa forma de popularizar o fazer artístico. ‘‘Produzindo em série, como vamos fazer, vai ser possível que um público maior possa adquirir uma obra destas, pessoas que não teriam condições de comprar uma exclusiva’’ - diz. As peças devem chegar ao consumidor por volta dos R$ 250. ‘‘Uma peças destas, no meu ateliê, não sairia por menos de R$ 1 mil’’ - conta.
As luminárias são confeccionadas em ferro, de vários tipos, com acabamento em folha de ouro, prata e com texturas variadas. Por enquanto, estão sendo produzidas os quatro modelos que foram apresentados na Gift Fair: Astrolábio, Arcos, Tubular e Helicoidal. ‘‘Este número pode aumentar já que o Sato não pára de criar’’ - diz Scarazzato. A intenção, porém, é montar uma pequena indústria. ‘‘Nós já temos inclusive um projeto que vamos encaminhar à Codel (Companhia de Desensolvimento de Londrina). Queremos lançar também uma linha de utilitários feitos com material de fundição’’ - explica Sato.

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