Esculturas de Juan Miró serão expostas no Brasil no segundo semestre
São Paulo, 03 (AE) - A partir de agosto, o público de São Paulo - e posteriormente do Rio e Curitiba - terá a oportunidade de ver um aspecto menos conhecido da obra do mestre catalão, Juan Miró. Em vez das pinturas e gravuras, que sempre ocupam o centro das atenções nas exposições dedicadas a sua obra
desta vez os holofotes estarão dirigidos para a escultura, forma de expressão que o artista começou a desenvolver tardiamente, na década de 60.
Com 64 trabalhos (36 esculturas, 23 obras sobre papel e 5 pinturas), a exposição que está sendo trazida pelo consulado francês a São Paulo é uma cuidadosa seleção da coleção de Miró pertencente à Fundação Maeght, instituição francesa que reúne o mais importante acervo escultórico de Miró (130 peças, doadas pelo próprio artista).
Entre os destaques da seleção estão as esculturas "Carresse dun Oiseau" - uma figura colorida, de formas extremamente simples e geométricas, de forte conotação sexual - e "Femme et Oiseau", obra lúdica que remete ao universo infantil. Apesar da importância dada à produção tridimensional, há também interessantes exemplos da pintura de Miró, como "Chant de la Prairie".
Miró mantinha uma íntima relação com a Fundação Maeght. Seus fundadores, Marguerite e Aimé Maeght foram seus marchands e amigos. Foi ele quem apresentou ao casal o arquiteto José Luis Sert, que concebeu o espaço mágico que a instituição ocupa em Saint Paul de Vence, cidade no sul da França, inaugurada em 1964.
Aliás, a fundação mantém uma estreita relação com a produção escultórica do artista, já que suas primeiras experiências nesse campo foram relacionadas a esse projeto (que abriga um fascinante labirinto criado por ele), explica Anette Pioud, a diretora-adjunta da instituição. Ela está no Brasil para visitar as instituições candidatas a abrigar a exposição.
Amanhã e quarta-feira ela conhecerá os espaços do Masp, MAM e da Pinacoteca e em seguida viaja para o Rio e Curitiba.
Trata-se do primeiro evento preparado pela fundação destinado ao Brasil, apesar de a instituição que tem sede em Saint Paul de Vence já ter feito empréstimos importantes a eventos realizados no País, sendo de sua propriedade algumas das esculturas de Giacometti que participaram da última Bienal de São Paulo. Essa exposição de Miró escultor já havia sido cogitada pelo Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), mas não pôde ser realizada por falta de patrocínio.
Segundo a adida cultural Agns Normann, idealizadora do projeto atual, essa exposição pode ser o início de várias outras parcerias, que incluiriam mostras de outros grandes nomes da arte moderna e a apresentação para o público brasileiro do importante trabalho editorial desenvolvido pela Fundação Maeght. (M.H.)





