Esculturas de Frans Krajcberg são liberadas do porto de Santos
São Paulo, 01 (AE) - Chegou ao fim a novela da retenção das duas esculturas de Frans Krajcberg no porto de Santos (SP). As obras, "A Flor do Mangue" (1973) e "Destruição" (1988), que estavam retidas no porto de Santos desde outubro do ano passado, quando chegaram de uma exposição na Fundação Cartier, em Paris, deverão ser entregues amanhã (02) no ateliê do artista em Nova Viçosa, Bahia, pela Alternativa, empresa encarregada do transporte das peças.
Acusada pelo artista de ter "sequestrado" as obras, a Alternativa, por intermédio de seu diretor, Joern Alf Bisinger, justificou a morosidade no desembaraço das obras afirmando que a empresa pediu ao artista documentos solicitados pela alfândega que, quando entregues, continham dados não correspondentes aos já existentes no computador da Receita Federal.
As obras chegaram no dia 12 de novembro ao porto de Santos e a transportadora, quatro dias depois, solicitou os documentos originais de importação, enviando-os à autoridade alfandegária em 21 de novembro. A Alfândega rejeitou os documentos, justificando que o endereço de Krajcberg, no computador da Receita Federal, consta como sendo do Rio de Janeiro e não Nova Viçosa, na Bahia.
Krajcberg estava em Paris e a documentação foi complementada e recebida apenas 60 dias depois da chegada das obras ao porto, o que resultou em altos custos de aluguel de contêiner e armazenagem, segundo o diretor da Alternativa. No início de dezembro a transportadora enviou um fax para o assistente de Krajcberg, Zé do Mato, informando os primeiros valores desses custos de armazenagem e aluguel do contêiner. Esses valores chegaram a R$ 63 mil em janeiro, depois reduzidos para R$ 34 mil e finalmente R$ 6 mil. Mesmo assim, Krajcberg recusou-se a pagar, alegando chantagem.
"Temos faxes provando que o assistente dele pediu que negociássemos com o porto e com a companhia responsável pela armazenagem", diz o diretor da Alternativa. Krajcberg, no entanto, diz que jamais aceitou negociar com a empresa, porque os custos do transporte já haviam sido pagos pela Fundação Cartier de Paris. Finalmente, a transportadora, a empresa de armazenagem e a dona do contêiner entraram num acordo e as duas esculturas chegam amanhã a seu destino.





