Paulo Polzonoff Jr.
De Curitiba
Com a participação de 155 artistas brasileiros, será inaugurada hoje à noite, em Curitiba, uma mostra que celebra a possível data de nascimen to de João Turin
Hoje, data em que seria comemorado o aniversário de 120 anos do artista plástico João Turin, acontece a abertura da V Mostra de Escultura que leva o seu nome, no Museu de Arte Contemporânea de Curitiba. A exposição, que também comemora os 50 anos de falecimento do famoso escultor paranaense, faz parte do calendário de eventos oficiais do Estado.
Realizada de dois em dois anos pela Casa João Turin, a exposição reúne neste ano 155 artistas de todo o Brasil. A seleção das obras foi feita através de fotografias enviadas pelos artistas, analisadas pela crítica de arte Nilza Knechtel e pelas artistas plásticas Lorena Barolo Fernandes e Carina Weidle. Ao todo foram selecionadas 89 obras de 44 artistas.
Três deles, Cristina Bortoluzzi, Marcelo Silveira e Vera martins, receberão prêmios individuais no valor de R$ 7 mil. Débora Santiago recebeu Menção Honrosa pelo conjunto de sua obra.
João Turim é um dos mais importantes artistas paranaenses. Escultor, tem obras expostas permanentemente em Bruxelas, na França e em diversas cidades brasileiras, além de Curitiba.
Não se tem certeza sobre a data de nascimento do artista. As datas variam de 1875 a 1885. A certidão de batismo, emitida pela Paróquia de Nossa Senhora do Porto, atual Morretes, é o documento mais antigo e é nele que se baseiam os historiadores para afirmar que João Turin nasceu em 21 de setembro de 1978.
Por opção de vida e por ideologia, João Turin jamais se casou. Acreditava que a vida de celibatário conferia a sua arte a condição de dedicação exclusiva.
Artista à moda antiga, João Turin vivia como um dândi, atraindo, assim, a atenção dos intelectuais da pequena Curitiba de então para sua casa-ateliê, que logo se tornou ponto de encontro.
O início da formação artística de Turin se deu aos 18 anos, quando ingressou na Escola de Belas Artes e Indústrias do Paraná. Ali, aprendeu a modelar, esculpir e ainda entalhar móveis e objetos.
É ainda nesta época que João Turin, tendo seu talento reconhecido pelo então presidente da Província, Vicente Machado, consegue uma subvenção para especializar-se em escultura na Bélgica. Turin embarcou para a Europa em 1905, onde se matriculou na Academia Real de Belas Artes de Bruxelas, em regime de internato. Do seu período na Europa resultou a obra ‘‘Exílio’’, instalada em frente à Prefeitura de Bruxelas.
Depois de se formar na Academia, em 1910, João Turin viveu em Paris a efervescência cultural da época, retornando ao Brasil apenas em 1922. Neste mesmo ano expõe a estátua de Tiradentes na Escola Nacional de Belas Artes do Rio, pela qual recebe uma Menção Honrosa no valor de um conto de réis. Insatisfeito com o prêmio, Turin só voltaria a participar de exposições em 1940.
É na década de 40 que João Turin começa sua série de esculturas com animais, consideradas as melhores de sua produção. Em 1944 ganhou a medalha de Prata no Salão Nacional de Belas Artes do Rio por sua escultura ‘‘Tigre Esmagando a Cobra’’, hoje no Zoológico da Quinta da Boa Vista, no Rio. Sucederam-se a esta ‘‘Luar do Sertão’’ e ‘‘Onça’’.
João Turin faleceu em 1949, deixando dezenas de obras inacabadas.
V Mostra de Escultura João Turin. Museu de Arte Contemporânea de Curitiba (Rua Desembargador Westphalen, 16). Abertura dia 21 de setembro, às 20h.

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