Simpatizante da filosofia Seicho-No-Ie - onde conta que aprendeu a controlar o próprio ego - e praticante da arte marcial ninjutsu - após ele e a família terem sido assaltados -, o escultor londrinense Luiz Trevisan, 55 anos, é o que se pode chamar de ''personagem interessante''.
Depois de morar dez anos nos Estados Unidos, onde aprendeu técnicas variadas de escultura com mais de 26 artistas de diferentes nacionalidades e, três anos no Japão, Trevisan comemora a conclusão de mais um monumento, no Parque Industrial de Arapongas, que homenageia o empresário João Carlos Martins Cava. Painelista de renome, são também de Luiz Trevisan o memorial da Companhia Cacique de Café Solúvel, da Cooperativa Coamo, além de painéis do Hotel Sumatra e do Teatro Marista, entre outras obras pela cidade e região.
Ele descobriu por acaso que tinha talento para esse tipo de arte. Após herdar a marmoraria do pai, em Curitiba, e administrar o negócio de família durante alguns anos, Trevisan teve um 'insight' durante a aula de artes da filha. ''Era uma aula de modelagem em argila e, como eu tinha que esperá-la, a professora me deu um pedaço de argila para passar o tempo. Foi meio de brincadeira, mas acabei 'esculpindo' o corpo de uma mulher e pedi um pedaço maior de argila para levar para casa. Fiquei horas concentrado naquilo e percebi que estava no caminho certo'', lembra.
Depois de ter feito uma das descobertas mais importante da sua vida, Trevisan decidiu que era hora de aprender mais sobre escultura na terra do Tio Sam. ''Deixei a administração da empresa do meu pai e a minha família ficou aqui, enquanto eu ficava indo e vindo''. Passada uma década em terra estrangeira, Trevisan conta que decidiu seguir o conselho de um amigo suíço, também escultor, que costumava dizer que devemos ''procurar crescer na terra em que nascemos, que é onde está a nossa semente''. Seguidor fiel dos conceitos da neurolinguística, Trevisan sabe do poder das palavras e decidiu que era em Londrina que a sua árvore iria dar bons frutos. Dito e feito.
Hoje, ele administra sua empresa de escultura junto com os filhos. Em seu ateliê raramente está sozinho, pois para realizar as grandes obras precisa da ajuda de um pequeno exército. ''É um trabalho minucioso de equipe. Desenvolvo o projeto, mas até a sua conclusão muitos participam da empreitada'', ressaltou.
Exemplos disso são os projetos em andamento da escultura de um Cristo com 20 metros de altura para Cascavel (na sua avaliação, o segundo maior do gênero no Brasil) e de uma praça em Guaratuba - o Largo da Carioca - na encosta de um morro. Passado o momento de ''inspiração'', que Trevisan considera o mais fácil, chega a hora em que o artista participa ativamente de todas as etapas do projeto, desde maquetes, sondagem de solo, parte estrutural, montagem do memorial descritivo para licitar a obra até os convites para a sua inauguração.
Quando não está envolvido com os projetos de grande dimensão, gosta de se dedicar à criação de peças menores para galerias e colecionadores. ''É um momento de maior intimidade do artista'', admite.
Atualmente está preparando algumas peças para serem expostas ano que vem em uma galeria de Dubai (Emirados Árabes). Com o apoio da princesa Haya Bint Al Hussein, a galeria de arte destina parte da venda das peças para projetos sociais de âmbito local.
Trevisan também está se dedicando à finalização do livro ''Esculturas em Bronze'', em que abordará técnicas de moldagem intercalando ''causos'' do meio artístico colecionados ao longo dos seus 26 anos de carreira. O livro deverá ser lançado no início do ano que vem em Londrina e Florianópolis; ele também está preparando um curso de técnica em escultura nas duas cidades.

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