Escritores que batem um bolão
Onze em Campo e um Banco de Primeira é o mais novo livro do escritor e jornalista gaúcho Flávio Moreira da Costa. Uma seleção de craques da literatura em contos de futebol que certamente vão encantar o leitor apaixonado pelo mundo da bola. No livro, desfilam nomes como João Ubaldo Ribeiro, Orígenes Lessa, Marcos Rey, Hilda Hilst, Duílio Gomes, Anna Maria Martins, Rubem Fonseca, Sérgio SantAnna, João Antônio, Flavio Moreira da Costa, Edla Van Steen, Luiz Vilela, Edilberto Coutinho, Ricardo Ramos, Antônio de Alcântara Machado e Carlos Eduardo Novaes.
Flavio Moreira é casado, tem 55 anos e mora no Rio de Janeiro há 30 anos. Amante do futebol, ele diz que tinha deixado um pouco de lado o seu amor pelo mundo da bola, até que aconteceu uma coisa interessante na sua vida e ele voltou a gostar do futebol. O nascimento do filho Francisco, há 14 anos. Hoje, por escolha de Flávio, eles são divergentes no futebol carioca. Flávio torce para o Fluminense e Francisco para o Flamengo. Assim dá mais emoção nas discussões, diz. Ele conta que foi Francisco que o levou pela primeira vez ao Maracanã. Nunca tive muita vontade de ir, confessa. O jogo era Brasil e Argentina e a seleção brasileira perdeu por um a zero. Comecei mal, resigna-se.
Flávio é o atual bicampeão de um dos prêmios mais importantes da literatura brasileira, o Jabuti, que é oferecido pela Câmara Brasileira do Livro. Ele venceu no ano passado na categoria romance com o livro O Equilibrista do Arame Farpado. Neste ano ele foi campeão do prêmio Jabuti com o livro Nem Todo Canário É Belga. Feliz pela premiação, Flavio diz que um prêmio como este é no mínimo revigorante. É um reconhecimento público pelo trabalho, diz.
A idéia original do livro começou em 1986 quando foi escrito pela primeira vez. O título era Onze em Campo. Nesta nova edição houve a apresentação de outros escritores que ajudaram a compor o nome, Onze em Campo e um Banco de Primeira. Mas Flávio confessa que gostaria de ter mais craques das palavras em seu livro. A minha primeira idéia era colocar 22 escritores para falar de futebol, mas a editora não achou válida a idéia e hoje estamos com 16 craques, diz. O escritor fala mais do livro: Ele é atemporal, pode ser lido hoje ou daqui a 20 anos, contou. Minha intenção é mostrar a paixão pela bola para aqueles que nem são tão fanáticos assim.
Flávio cita os depoimentos de João Ubaldo Ribeiro e Ricardo Ramos como dos melhores do livro. O Rubem Fonseca também é genial, revela. Mas ele se orgulha de ter colocado em seu livro contos escritos por mulheres. É uma injustiça deixá-las de fora, conta. Precisamos saber como elas pensam sobre o futebol e qual é a posição delas sobre este mundo, ainda tão masculino, diz. Segundo Flávio, o livro é de fácil leitura. Para ele os contos são leves, alegres e bons de se ler.
Sobre a seleção brasileira, ele se mostra meio cético. Acho que é melhor ser um pessimista estratégico do que ser um otimista babaca, diz. Ele acredita que o Brasil pode ser pentacampeão, mas não vai ser fácil, conta. Para ele, o Brasil é riquíssimo em talentos individuais mas está palpérrimo em conjunto. A falta de treinamentos pode atrapalhar o desempenho da seleção, mas agora é só torcer, não tem outro remédio, finaliza.





