Um grupo de 30 escritores, liderado pelo poeta paranaense Silas Corrêa Leite, está tentando reavivar a edição do jornal literário ‘‘Nicolau’’, mantido por 10 anos pela Secretaria da Cultura do Estado do Paraná. De distribuição gratuita, o jornal publicava contos e poesias de escritores de todo o Brasil.
Sua última edição foi lançada em maio de 97. A causa do fim do jornal, segundo a secretaria, foi a falta de dinheiro.
Há duas semanas, Leite redigiu um manifesto com o título ‘‘Governo do Paraná Mata o Jornal ‘Nicolau’’’ e o enviou a cerca de cem escritores de todo o País. No manifesto, Leite critica o governo do Estado: ‘‘Queremos o ‘Nicolau’ de volta. Como ‘neo-queremistas’, vamos botar a boca no trombone e denunciar a baboseira do governo que matou o ‘Nicolau’! E sai de baixo!’’ Desde então, recebeu a adesão de 30 colegas, por meio de cartas ou telefonemas. ‘‘Vou reunir esse material e mandar ao governador do Paranᒒ, afirma Leite, que reside atualmente em São Paulo.
Regina Benitez, a última editora do ‘‘Nicolau’’, afirma que o principal gasto da secretaria com o jornal era com o envio dos exemplares pelo correio.
‘‘A tiragem era de uns 12 mil exemplares. Nós distribuíamos metade disso no Brasil e a outra metade para brasileiros no exterior. Os gastos do correio inviabilizaram o jornal’’, afirma Regina, que é assessora do Departamento de Editoração da secretaria. Regina editou os últimos cinco exemplares do ‘‘Nicolau’’, com uma periodicidade semestral.
Nem sempre o ‘‘Nicolau’’ foi semestral. Criado em 1987 por um grupo que
incluía o editor Wilson Bueno, chegou a sair mensalmente. Para o escritor Walmor Marcelino, 68, ex-membro do conselho editorial do ‘‘Nicolau’’, ‘‘lutar pela volta do jornal é meritório e eu apóio, mas não mexe na raiz do problema, que é a falta de uma linha de política cultural’’. ‘‘Na sociedade do espetáculo, não há lugar para quem escreve. Como os cults vão sobreviver, sem editora e sem jornais? Os políticos dizem que o ‘Nicolau’ já era e não dizem o que é agora. É lamentável.’’

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