Seis contistas - cinco homens e uma mulher - estarão autografando o livro ‘‘Confabulário’’ hoje, às 10 horas, na Livraria Ghignone da Rua Quinze de Novembro, em Curitiba. Idealizado pelo jornalista Walmor Marcelino, e editado pela Imprensa Oficial, ele é um resumo daquilo que vem sendo feito nas letras paranaenses.
ReproduçãoO time de ‘‘Confabulário 1’’ (espera-se que seja o primeiro de uma série) é formado por pesos pesados. Tem Fábio Campana, Jamil Snege, Regina Benitez, José Castello, Wilson Bueno e Walmor Marcelino. Meia-dúzia de feras. Sobre os contistas Castello descreveu-os em sua coluna do Caderno 2 de ‘‘O Estado de São Paulo’’, na terça-feira passada.
As 148 páginas do volume encerram 21 contos, variando de três a cinco entre os autores. O mais econômico foi Jamil Snege - incluiu apenas um, ‘‘Os Verões da Grande Leitoa Branca (ou) Amo Meu Cavalo Mas Não Deixo Minha Mulher’’. Tão discreto, é ele quem ocupa a maior parte da crônica de Castello, encantado com sua novela ‘‘Viver É Prejudicial à Saúde’’.
Sendo um apanhado geral da nossa atual literatura, ‘‘Confabulário’’ não se prende a temas, nem a estilos. A intenção é a de se construir um painel com os valores paranaenses. Fábio Campana aparece com trabalhos recentes e antigos. ‘‘Todo o Sangue’’, o primeiro do livro, foi escrito há 30 anos. Mas não foi seu autor quem fez a escolha. ‘‘A seleção dos meus contos foi feita pelo Jamil, que estava mais envolvido com o projeto’’, explica.
Seu último lançamento foi o romance ‘‘O Guardador de Fantasmas’’. No momento aguarda para publicar ‘‘O Dia do Lagarto’’, trabalho que coloca em foco a problemática da meia-idade. Experiente, o escritor detecta mudanças no cenário literário do Paraná.
‘‘Estamos entrando num momento bom’’, diz. Campana acredita que tem muita gente boa escrevendo, e é essa produção que precisa ser conhecida. Outras mostras devem ser publicadas, para que haja um boom no Estado. Mesmo a clássica autofagia, notadamente do curitibano, está se acabando. ‘‘Acho que em 99 vamos explodir’’, augura.
Os bons ares são notados também por Jamil Snege, satisfeito com a proliferação dos lançamentos nos últimos meses. Cita Domingos Pellegrini, Cristóvão Tezza, Valêncio Xavier. Só não fala de si, da sua novela que vem amealhando elogios da crítica. Porém, lembra que Leo Gilson Ribeiro já anteviu o futuro: o Paraná será um importante polo literário, fora do eixo Rio/São Paulo.
Regina Benitez, que acaba de vencer mais um concurso literário, promete estar no lançamento, furando a barreira da timidez. Com diversos livros inéditos na gaveta - de contos, romances e poesia -, é o exemplo mais bem acabado dos soturnos escritores curitibanos. É a única visão feminina em ‘‘Confabulário’’.
José Castello é autor de livros sobre Vinícius de Moraes, João Cabral de Mello Neto, Rubem Braga e organizou o ‘‘Roteiro Lírico e Sentimental do Rio de Janeiro’’. Porém, em ficção, sua estréia acontece neste volume. ‘‘Demorei a começar’’, diz ele. Pelo jeito, este é o caminho que irá explorar daqui para frente.
‘‘Alguns acontecimentos me levaram a concluir que devo fazer ficção. Uma das razões são as crônicas que escrevo para o Estadão’’, conta. Através delas, publicadas às terças-feiras, foi sentindo cada vez mais o gosto pelo ficcional. Inclusive seu conto ‘‘Cada Vez que Sinto o que Sou’’, o mais extenso dos três que colocou no livro, continua sendo burilado. Poderá se transformar em novela ou até mesmo num romance.
Wilson Bueno, que em 1996 colocou na praça ‘‘Pequeno Tratado de Brinquedos’’, escolheu cinco trabalhos curtos, produzidos nos últimos cinco anos. ‘‘Tento transmitir certa linha evolutiva do meu fazer de contos’’, explica. A sequência mostra a evolução que há para o transconto, e chega à radicalização em ‘‘A Mão, Amor’’, que encerra o livro.
O jornalista Walmor Marcelino, autor da idéia da obra, disse à Folha anteriormente - quando ‘‘Confabulário’’ saiu da gráfica -, que neste grupo ele era ‘‘o menos conhecido’’. Mas o que realmente importava, aconteceu: o encontro de escritores talentosos dando início a um mapeamento que poderá se estender no futuro.
Voltar o olhar para a produção local foi sua intenção ]ontrapondo com a mania dos produtores culturais que só promovem o que vem de fora. Walmor Marcelino observou que ‘‘estranhamente’’ o Paraná tem artistas de qualidade, seja na música, no desenho, na literatura. E deixou uma pergunta no ar: ‘‘Que coisa estranha somos nós?’’ Talvez ‘‘Confabulário’’ leve ao início de uma resposta.
• Confabulário - livro de contos reunindo Fábio Campana, Jamil Snege, José Castello, Regina Benitez, Walmor Marcelino, Wilson Bueno. Lançamento dia 12, às 10 horas, na Livraria Ghignone (Rua Quinze de Novembro, 423, telefone 322-4636), em Curitiba.

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